Revelações na TV Amapá

 

Presidente da AL Amapá
Jorge Amanajás surpreso com entrevista

Waldez Góes deixa entrever que apoiará Pedro Paulo

 Em entrevista concedida ao jornalista Seles Nafes, no jornal da TV Amapá, edição diurna de sábado, 26 de dezembro, o governador Waldez Góes (PDT) tergiversou quando inquirido se em abril de 2010 continuaria no governo ou anunciaria sua desincompatibilização para concorrer a algum cargo eletivo. Primeiro, deixou escapar que é seu desejo pessoal “continuar o trabalho que vem realizando pelo Amapá até o limite de seu mandato”. Porém, quando pretendia continuar nessa linha de raciocínio, Nafes o interrompeu. Nesse momento, Waldez parou, refletiu e disse que a decisão a ser tomada pode ser antes de abril ou mesmo até o prazo limite estabelecido pela legislação, que é 3 de abril. E para complementar citou o nome de seu vice-governador, o médico Pedro Paulo Dias de Carvalho que, no caso de seu afastamento do cargo, Pedro Paulo estaria apto a dar continuidade ao governo com as mesmas propostas e dinâmicas atuais. Ou seja, deixou entrever que se em abril formalizar a saída do governo, Waldez pode, sim, apoiar uma possível pré-candidatura à reeleição de Pedro Paulo ao governo do Estado. Nesse caso, a pré-candidatura ao governo do deputado estadual Jorge Amanajás (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, não teria o apoio de Waldez Góes. Confirmando-se essa hipótese, então Pedro Paulo Dias de Carvalho deve ter firmado algum acordo tácito com o grupo de poder em evidência comprometendo-se em não revelar todos os senões ocorridos nos últimos sete, oito anos de atuação do grupo político de Waldez Góes no governo do Estado. Ou seja, em bom português, no caso da teoria converter-se em realidade, o vice-governador e secretário de Estado da Saúde optou por vender sua alma ao diabo somente para assegurar numa hipotética vitória nas urnas. No entanto, Pedro Paulo que ponha as barbas de molho. Segundo deputados declaradamente favoráveis à pré-candidatura ao governo de Jorge Amanajás, começa a existir nos subterrâneos do legislativo estadual um movimento cujo objetivo é arrancar de Waldez Góes a garantia de apoio amplo e irrestrito à Amanajás a partir do segundo trimestre de 2010. Um dos argumentos a ser usado caso Waldez esconda-se atrás de subterfúgios é o de que ao longo dos últimos sete anos o governo do pedetista sempre obteve na AL a sustentação política necessária para aprovação de seus projetos. Para o deputado Dalto Martins (PMDB), situações existem em que não dá para ficar em cima do muro tentando compor e compatibilizar os contrários. Não há como o pescoço alardear que a guilhotina não é a inimiga. Conforme o peemedebista, mesmo disputando uma das duas vagas ao Senado, Waldez Góes precisará definir, com alguma antecedência, qual o seu preferido ou preferida à sucessão. Entende que na medida em que o governador se cala sobre o assunto, à sua sombra florescem cogumelos capazes de prejudicar-lhe a trajetória. Na verdade, como caixão não tem gaveta e mortalha não tem bolso Waldez Góes tenta seguir incólume, mantendo-se à salvo do intenso bombardeio desencadeado, afirmam experimentados observadores, antes da declaração oficial de guerra. “É gastar munição à toa”, observa o professor e mestre em Economia, Charles Chelala. Antecipar campanhas eleitorais sempre resultaram em operações ruinosas. Contudo, em estado de plenitude semi-eufórica, os partidários da pré-candidatura de Amanajás parecem ignorar as manobras graduais que Pedro Paulo Dias, concorrente em potencial do tucano, vem realizando no futuro campo de batalha. Ofuscados pelas labaredas da fogueira das vaidades fingem não enxergar o óbvio: que o vice-governador pode, sim, suceder Waldez Góes a partir de 2011. Entrincheirado na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), cargo que em alguns momentos recentes lamentou ter aceitado, Pedro Paulo Dias de Carvalho percebeu as inúmeras vantagens auferidas por quem, a partir de abril vindouro, constitucionalmente pode ocupar a principal cadeira do Palácio do Setentrião, caso Waldez venha a desincompatibilizar-se. Uma delas é a possibilidade de aproximar-se dos eleitores sem correr muitos riscos de ver-se alvejado com tanta intensidade.E a estratégia atualmente empregada pelo vice-governador resulta alvissareira sobretudo porque como secretário de Estado, à frente de uma das mais complexas secretarias da era Waldez Góes, pode realçar sua condição de médico sem resvalar para o assistencialismo tacanho e meramente mercantilista. E ainda conseguir manter a firme disposição de não se meter nas refregas travadas nos bastidores da Assembleia Legislativa. Entre outros motivos porque Pedro Paulo sabe o estrago que causa uma bala perdida em tiroteio dessa envergadura. Dessa forma, suas chances de candidatar-se à reeleição e ser bem-sucedido nas urnas são mais concretas do que outro personagem que há oito anos esteve em idêntica posição, porém, sem as ferramentas hoje instrumentalizadas pelo secretário da Saúde do Amapá. Ou seja, a hoje deputada federal Dalva Figueiredo (PT). Com 2009 avançando inexorável para sua fase crepuscular, Pedro Paulo apressa-se em finalizar seus objetivos. Pelo menos dois deles concretizados: criou um trampolim para se projetar ainda mais no cenário político estadual e, melhor do que a encomenda, de efeito multiplicador expressivo. E aos poucos, construiu uma imagem de independência politico-administrativa visando a consolidação de uma carreira política própria. Porém, embora Jorge Amanajás e Pedro Paulo esforcem-se pelo mesmo objetivo, que é o de descolar as respectivas imagens de auxiliares preferenciais do governador ao longo dos últimos anos, ambos jamais poderão usar a retórica presente como se fosse um apagador desses borrões que mancham suas vestes. E apesar da aparente solidez que demonstra, o projeto político de Pedro Paulo corre mais riscos de sucumbir se em 2010 ele disponibilizar a máquina política e administrativa do Estado para uso exclusivo de sua campanha eleitoral. Se isso acontecer, ela corre o risco de se tornar uma candidatura de circunstância. Na outra paralela, Jorge Amanajás também briga para mudar um histórico de conquistas eleitorais apertadas. Em 2006, por exemplo, ele ficou em segundo lugar no número de votos. Perdeu para Roberto Góes, atual prefeito de Macapá, que não tinha a mesma infra-estrutura (curso pré-vestibular gratuito) para alicerçar a candidatura.

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