Gol contra no futebol amapaense

  “Zerão” continua abandonado

 Carla Munhoz – Especial para o Amapá Em Dia

Lula bate-bola no estádio
Gov. Waldez Góes e ex-dep. Eduardo Seabra (PTB) com o presidente Lula e o então ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, na ocasião do anúncio da liberação de R$ 6 milhões para reforma do Zerão

No dia 17 de outubro de 1990, o recém-eleito presidente da República Fernando Collor de Melo desembarcava no Amapá para, junto com o governador Gilton Garcia inaugurar o estádio Zerão. A festa teve o tamanho da pompa para a importância de um palco de partidas, cuja linha do meio de campo era também a linha imaginária do Equador, que divide, horizontalmente, a Terra em dos hemisférios: além da despedida de Zico, craque do Flamengo e da Seleção Brasileira, a partida que inaugurou os gramados foi Seleção do Amapá e Seleção Brasileira de Masters. O advento do Zerão preconizava uma nova era para o futebol amapaense. E essa era não demorou a chegar. Em 1991, o campeonato profissional já levava grande público às arquibancadas, mas teve seu auge no ano seguinte. Times como Ypirianga Clube, Trem Desportivo Clube e São José disputavam a preferência do torcedor. E o que não era raro eram os espetáculos dentro das quatro linhas. Hoje morando no Rio de Janeiro, o amapaense José Walter de Carvalho, de 52 anos, relembra muito bem desse período áureo do futebol amapaense. “O pessoal da rua se reunia para ir ao estádio. Eu torcia para o Ypiranga, mas levava uns vizinhos que torciam para o Trem”, relembra, em tom de saudade. Naquela época, também brilharam as estrelas desses espetáculos: os atletas. Um deles foi Raimundo Miranda, atualmente com 47 anos. O centroavante Miranda, ou “Trator”, como era conhecido, despontou como campeão estadual pelo Ypiranga, em, 1992, com 28 gols, e no ano seguinte pelo São José, sendo artilheiro isolado com vinte gols. Hoje, o agora coronel do Corpo de Bombeiros relembra com saudades os bons tempos de jogador. Teoricamente, o Zerão deveria ser um marco para o desenvolvimento do futebol amapaense. No dia 20 de dezembro de 2005, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva repetiu o ato de Collor, batendo bola no gramado do Zerão. Na ocasião, acompanhado do então ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, pelo governador Waldez Góes, deputados e outros políticos figurantes de fotografias. Ali, se anunciou investimentos para o esporte amapaense. Que não chegaram. Hoje, a reforma do estádio, agora batizado com o nome do saudoso desportista Milton de Souza Corrêa, virou motivo de frustração de torcedores e dirigentes. A obra caminha com morosidade. Enquanto isso, o declínio do futebol amapaense é destaque nacional. Em fevereiro deste ano, o Amapá abriu a série de reportagens “Futebol Esquecido”, do programa dominical Esporte Espetacular. Com enfoque no Clube Atlético Cristal (representante amapaense na Copa do Brasil), que não tem campo de treinamento, o repórter Régis Rösing desnudou a dura realidade enfrentada pelos clubes locais. “Pior do que não ter campo para treinar, é não ter onde jogar. O Campeonato Estadual do Amapá, que sempre foi realizado entre abril e junho, em 2009, aconteceu no segundo semestre por causa da falta de condições do único estádio de Macapá, o Glicério de Souza Marques, carinhosamente chamado de Glicerão”, dizia um trecho da matéria. Para o ex-atleta Raimundo Miranda, “essa é uma realidade que depõe contra e descredibiliza o futebol amapaense”. Ele ainda desabafa e diz que a influência da política acaba inviabilizando o esporte no Amapá. “Fiquei negativamente surpreendido com a matéria, quando assisti”, endossa José Walter de Carvalho. Desde que o material foi exibido, quase nada mudou. Hoje, o Zerão passa por obras de reforma e ampliação que deveriam ter acabado há mais de um ano. Recentemente, o deputado estadual Ruy Smith, presidente da Comissão de Obras da Assembleia Legislativa, visitou o local, para uma espécie de vistoria. “Hoje, o Zerão está desativado. Havia uma emenda do ex-deputado [Eduardo] Seabra, salvo engano de mais de sete milhões, mas que não foi executada por entraves junto à Caixa [Econômica Federal]. Uma outra empresa assumiu a obra. Agora, o governo promete entregar no início do ano que vem. Antes tarde do que nunca. Nosso Estado não pode ficar sem um estádio decente”, vociferou Smith. Agora, o governo estadual arca com todos os custos da obra e outra empresa assumiu a empreitada. De acordo com o engenheiro Odailson Benjamim, da Secretaria de Estado da Infra-estrutura (Seinf), a previsão é de que a conclusão da obra ocorra em março de 2010.

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