Setor produtivo reivindica
Produtores do Amapá ainda em crise

Governo menospreza o setor primário do Amapá

 O descaso do Governo do Estado com o setor primário tem feito com que os trabalhadores rurais vivam dias de dificuldades, principalmente os que necessitam de condução para transportarem seus produtos para as feiras oficiais realizadas pelo governo, as chamadas “Feiras do Produtor”. Agora, um novo problema vem somar-se a esses. A falta de transporte para trazerem seus produtos do campo até as feiras onde eles são comercializados. E a situação ficou mais crítica depois que a PRF (Polícia Rodoviária Federal) deixou de ser tolerante e proibiu o transporte de agricultores em desacordo com o que determina a legislação de trânsito. O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) proíbe o transporte de passageiros em compartimento de cargas, ou seja, os trabalhadores rurais não podem seguir para a cidade no mesmo carro que leva os produtos que eles irão comercializar nas feiras. Por causa dessa determinação, parlamentares de oposição na Assembleia Legislativa do Estado do Amapá chamaram a atenção para outro problema que passou a surgir. “Não bastasse serem vitimas do isolamento, esses agricultores agora estão sendo obrigados a pagar pelo transporte de seus produtos agrícolas, quando na verdade deveriam receber esse serviço gratuitamente”, denunciou o deputado Camilo Capiberibe (PSB). As comunidades agrícolas que comercializam seus produtos na Feira do Produtor há mais de vinte anos, transportavam seus produtos em caminhões cedidos pelo governo do Estado. Mas por força da medida tomada pela PRF, cerca de três mil agricultores ficaram sem transporte gratuito e passaram a pagar para trazer suas mercadorias até Macapá. “Ocorre que, o governo que deveria está garantindo o transporte gratuito desses trabalhadores, ficou de braços cruzados vendo o tempo passar. E ele [o governo] sabia que isso iria acontecer porque foi avisado, e mesmo assim não foi feto nada”, reclamou o deputado socialista. A saída encontrada pelos próprios trabalhadores rurais foi pagar pelo transporte, medida que na avaliação de Capiberibe, faz com que os agricultores fiquem sem lucro. “Eles vendem, por exemplo, a saca de farinha a setenta reais. Só que têm que desembolsar trinta reais para pagar o transporte”, disse. E os R$ 40 reais restantes não podem ser considerados como lucro, se forem computados os custos da produção, ou seja, o investimento veio desde a preparação da roça para o plantio da mandioca, passando pela colheita, transporte até o produto chegar à mesa do consumidor. E a falta de incentivo para produzir, está desestimulando os produtores rurais amapaenses fazendo que eles deixem suas roças para se aventurarem na cidade, contribuindo para o inchaço populacional na capital. “O que mais nos chama a atenção é que o governador é um extensionista rural. E ele, por formação profissional, deveria está trabalhando para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e não abandoná-las ao próprio destino”, reclamou. Por conta do problema denunciado na Assembleia, Camilo Capiberibe conclamou os demais parlamentares da Casa a derrubarem o veto do governador Waldez Góes, ao projeto do deputado estadual Michel JK (PSDB), que concede o benefício da meia-passagem aos agricultores nos transportes rodoviário e fluvial. Pelo texto, terão direito ao benefício apenas os trabalhadores rurais que trazem sua produção para serem vendidas nas feiras agrícolas realizadas semanalmente em Macapá. Mesmo afirmando que a proposta é um contra-senso, porque os agricultores já tinham a gratuidade nos caminhões, a sociedade defende o projeto de JK afirmando que pode ser uma alternativa, mas desde que o custo da tarifa não seja repassado aos passageiros da linha regular. “O governo tem que entrar em acordo com as empresas de ônibus que fazem esse transporte para fazer uma espécie de cruzamento de contas para abater o custo da meia-passagem. Serviria como um incentivo a esses agricultores”, disse.

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