E agora, Waldez Góes?

Eleições 2010 no Amapá
Pedro Paulo e Jorge Amanajás: mesmo objetivo

O golpe de mestre do deputado Jorge Amanajás

O governador Waldez Góes (PDT) fecha 2009 com um tremendo abacaxi nas mãos para ser descascado após encerramento do recesso. Trata-se do Orçamento do Estado para 2010, estimado em R$ 2.491.455.988,00. E quem cultivou o fruto indigesto foi o deputado estadual Jorge Amanajás (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá e pré-candidato ao governo do Estado. Segundo fontes com trânsito livre nos corredores do legislativo estadual, por determinação do tucano a previsão orçamentária passou por profundas alterações sem que o governador tenha sido consultado. Seria uma estratégia da AL para garantir poder de barganha junto ao Palácio do Setentrião a partir de 2010? Pelo número de emendas inseridas no projeto original enviado pelo Executivo à AL a resposta pode ser afirmativa. Nesse caso, por mais que Waldez e Amanajás neguem, existe de fato uma guerra subterrânea em andamento entre legislativo e governo Waldez Góes. E dependendo do cenário político para as eleições vindouras, Waldez ainda pode vetar a aprovação do Orçamento, realizada a toque de caixa na terça-feira, 22 de dezembro. Waldez Góes pode vetar, sem dúvida. Contudo, Jorge Amanajás e os demais parlamentares também podem derrubar o veto governamental. Provando-se, com essas manobras, que se Waldez não rezar na cartilha dos tribunos estaduais, estará fadado a testemunhar seu projeto de poder sofrer graves fissuras. Tudo depende do encontro entre Waldez e Amanajás, previsto para acontecer em meados de fevereiro. Se Waldez confirmar para o deputado que em abril estará deixando o governo para concorrer a outro cargo eletivo o formato atual do Orçamento 2010 ganhará outro contexto. Se Amanajás perceber algum gesto dúbio por parte de Waldez, não haverá acordo e o Orçamento permanece como está. Nesse caso, com o governador decidindo continuar no cargo até 31 de dezembro de 2010 para lastrear pré-candidatura “puro sangue”, que poderia ser a do secretário Alberto Góes ou a do prefeito de Macapá, Roberto Góes (ambos do PDT), teria pela frente grandes dificuldades financeiras para administrar a máquina pública e, ao mesmo tempo, alicerçar a campanha eleitoral de um dos primos. E é esse o motivo do descontentamento do presidente da AL amapaense. No primeiro semestre de 2008, quando o então deputado estadual Roberto Góes ainda definia pré-candidatura à Prefeitura de Macapá, Jorge Amanajás fechou o seguinte acordo: daria apoio irrestrito à campanha do pedetista e em troca, ao pré-candidatar-se ao governo em 2009 receberia igual tratamento. Eleito em um segundo turno pautado por denúncias de irregularidades, Roberto Góes assumiu a PMM referendado pelo Palácio do Setentrião, que desde o começo deste ano vinha trabalhando sigilosamente uma candidatura ao governo que emergisse de dentro da própria família Góes. Jorge desconhecia o projeto, cujo teor começou vir à tona após o vice-governador Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), que assumiria o governo, confirmando-se a desincompatibilização de Waldez a partir de abril, perceber que ninguém, na cúpula do governo, tinha a intenção de transferir o comando para ele. Aliás, nem o próprio vice-governador e secretário de Estado da Saúde sabia do projeto de poder minuciosamente preparado por pessoas intimamente ligadas ao governador, e com o aval deste. Tanto que ao obter a confirmação de que Waldez disputaria, sim, uma das duas vagas para o Senado, Pedro Paulo ficou eufórico e começou a delinear planos para quando assumisse o governo, com projeção de vir a disputar a reeleição certamente sustentada pela máquina político-administrativa do Estado. Dessa forma, tornar-se-ia um contendor quase imbatível nas urnas. Com esses projetos em fase de consolidação, Pedro Paulo passou a utilizar a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) como instrumento pré-eleitoral ao deslanchar sucessivas campanhas preventivas de saúde voltadas para o interior do Estado. Não demorou para que as iniciativas ganhassem visibilidade na imprensa, o que incomodou sobremaneira um outro aspirante ao governo do Estado, o deputado Jorge Amanajás. Observando à distância, Jorge começou a cobrar do governador Waldez Góes e dos demais integrantes do staff pedetista uma definição mais consistente sobre o acordo tácito fechado no início de 2008. O presidente da AL queria que o governo anunciasse, mesmo entrelinhas, que apoiaria sua pré-candidatura. Como Waldez tergiversava demais, optando por uma posição ambígua quanto ao suposto contrato, o deputado, por meio de sua tropa de choque na AL (composta pelos médicos e deputados Manoel Brasil e Dalto Martins, ambos do PMDB) passou a minar a gestão de Pedro Paulo à frente da Sesa, com sucessivas denúncias formuladas do plenário e amplificadas no programa “Legislando com o povo”, transmitido de segunda a sexta-feira, das dez horas ao meio-dia pela rádio FM Equatorial. Claro, horários pagos com recurso público. O problema é que os ataques não atingiam somente o vice-governador, como pretendiam os artilheiros de Amanajás. O governo igualmente fora alvejado, mesmo que de tabela. E isso deixou Waldez Góes bastante chateado. Em encontro com Pedro Paulo, o governador o admoestou a cessar as campanhas no interior para evitar “confrontos desnecessários entre poderes”. A reação do vice-governador, porém, desagradou ainda mais o governo que, na surdina, iniciou paulatino, contudo, letal processo de “fritura” de Pedro Paulo Dias. Com a aprovação do Orçamento para 2010 repleto de emendas, o deputado Jorge Amanajás acertou dois coelhos com apenas um tiro. Se Waldez decidir-se por permanecer no cargo para apoiar um dos Góes não terá os mesmos e abundantes recursos de passado recente. Se Waldez desincompatibilizar-se para concorrer ao Senado (diga-se) deixando em seu lugar o vice, a máquina estadual terá de funcionar até o fim de 2010 só com meio tanque de combustível. E nessa caso, então, Pedro Paulo Dias de Carvalho ó… Top! Top!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s