A nota do Luiz Melo

 Questão de coerência política ou de sobrevivência financeira?

Na edição de quarta-feira, 2

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Nota veiculada dia 23, no Diário do Amapá

3 de dezembro, do jornal Diário do Amapá, o colunista Luiz Melo fez veicular a seguinte nota:

Valeu

Filha de Correa Neto, Márcia Correa, em fala, demonstrou de público apreço ao prefeito Roberto Góes, anteontem, durante almoço de confraternização. Questão de grandeza.”

Há seis meses, a jornalista Márcia Correa foi convidada para ser uma das colaboradoras do jornal O ESTADO. Ela recusou justificando excesso de atividades e, além disso, não poderia participar de uma publicação de cores oposicionistas pois tinha “contatos comerciais” com a Prefeitura de Macapá e Governo do Estado. Até aí, nada de mais. Afinal, como profissional de imprensa Márcia precisa garantir o pão de cada dia. E como diz o evangelista Lucas, no capítulo 10, versículo 7 de seu livro bíblico, “todo trabalhador é digno de seu salário”. Essa declaração de Márcia (se assim ocorreu) reportou um episódio marcante. No fim dos anos 1970, ainda no Seminário Teológico Batista Equatorial (hoje faculdade), passou-se a estudar o pensamento de Karl Marx durante o curso de Filosofia. Parece surpreendente? Mas, não é. O conceito básico dos “luminares” da reitoria do STBE, norte-americanos em sua maioria, era o seguinte: se você não conhece, não saberá como refutar. O que chamou a atenção dos seminaristas de inclinação mais liberal foi a seguinte história:

  • Encontrava-se Marx nos estertores (em agonia), quando Friedrich Engels aproximou-se do leito para confortar o amigo. Em dado momento, ouviu dele um lamento que ficaria para a História. Marx puxou-o pela manga da camisa e confidenciou: “Engels, passamos 18 anos de nossas vidas escrevendo sobre O Capital, mais proveito teríamos se, ao invés disso, tivéssemos empregado esses 18 anos para amealhar o capital”.

Por muitos anos, Márcia Correa militou na esquerda. Defendeu conceitos socialistas (o que certamente ainda deve fazê-lo), participou de movimentos estudantis, passeatas, congressos e demais eventos. Mas, bem como a maioria, igualmente se decepcionou com a esquerda brasileira. O ex-deputado João Carlos Batista (PSB), assassinado no dia 06/12/1988, tinha uma profunda ojeriza em relação ao então deputado federal Ademir Andrade (à época também no PSB) – corrijam-me se houver algum engano. Batista costumava confidenciar a assessores que Andrade era um socialista meramente decorativo, nominal, de fachada, de faz-de-conta. Na verdade, Ademir Andrade, segundo Batista, vivia em conchavos com latifundiários do sul e sudeste paraense. Era um apaniguado dos fazendeiros, com inclinações a tornar-se um deles. No velório de Batista, realizado no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado do Pará, Ademir Andrade aproximou-se do caixão e ensaiou um discurso melodramático. Nem chegou a concluir o primeiro parágrafo. Deixou o local sob vaias e chuvas de impropérios. Antes de alcançar a escada da porta principal do legislativo, voltou-se e disse que estava sendo injustiçado, mal compreendido, etc. Mais vaias. Realmente, Batista estava certo. Na época, Andrade havia comprado um bom pedaço de terra e criava “algumas” cabeças de gado. Não se dizia fazendeiro. Apenas um “pequeno” produtor rural. Contudo, Ademir Andrade também estava certo. Por que gastar anos da vida discorrendo sobre teorias socialistas que jamais serão efetivamente aplicadas pela maioria? Em vez gastar anos e anos escrevendo sobre O Capital, melhor, mesmo, é gastar as energias para conseguir esse capital. Foi o que Márcia Correa descobriu. E ela está certa.

 

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