Sucateamento da Polícia Civil no AP prejudica combate à criminalidade

ESQUECIDA – Sem investimentos mais amplos, a Polícia Judiciária amapaense está encontrando dificuldades para solucionar boa parte dos homicídios. No dia a dia, o policial convive com delegacias caindo aos pedaços e viaturas com os pneus furados

A violência está ganhando de goleada a batalha campal travada no cotidiano de Macapá e das demais cidades amapaenses. Dados extraoficiais divulgados no blog do repórter de polícia João “Bolero” Neto (joaoboleroneto.blogspot.com) demonstram que mais da metade dos homicídios registrados de janeiro a setembro de 2017, sobretudo em bairros periféricos da capital, não foi desvendada. A esmagadora maioria dos casos de crimes de morte ainda rola pelas gavetas das delegacias ou, pior, não merece, sequer, a abertura de inquéritos.
Em conversas reservadas, delegados e investigadores atribuem o caos à falta de infraestrutura pessoal e material, em especial pouca munição e viaturas quebradas para enfrentamento dos bandidos em igualdade de condições. Eles lembram que os acusados de assassinatos nem sempre estão dispostos a se entregar sem reação à voz de prisão.
Segundo funcionários da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, que forneceram informações com o compromisso deste blog mantê-los no anonimato, a situação é tão grave que há ordens expressas da Sejusp (leia-se secretário Ericláudio Alencar) para que nenhum dado referente ao andamento das investigações de homicídios seja revelado à Imprensa. O temor estaria na compreensão — e consequente cobrança social — de uma crise que se agrava a cada ano e que expõe o cidadão à insegurança e à impunidade estimuladora de novos crimes.

MANIFESTAÇÃO – Agentes paralisam atividades para protestar contra as péssimas condições da Polícia Civil

Para combater, com mais eficiência, a criminalidade em Macapá é necessário ampliar o quadro de agentes e delegados, segundo opinião corrente na Polícia Civil. Esse caminho, entretanto, não deverá ser percorrido este ano. E tampouco há previsões de que ocorra em 2018, ano de eleições gerais no País.
Em delegacias localizadas no interior do Estado ou em bairros mais afastados do centro, por exemplo, a precariedade começa a ser notada na fachada dos prédios, cuja pintura é coberta pela poeira da falta de saneamento na periferia. Em algumas, as grades de ferro das celas estão corroídas pela ferrugem; cadeiras, mesas e arquivos destruídos pelo uso contínuo ou pela ação do tempo; e o mais grave, os policiais não dispõe de viaturas suficientes quando acionados pelos moradores.
Os delitos considerados mais leves (furtos e agressões, para ilustrar) simplesmente não são investigados, o que garante a impunidade dos infratores. Nos casos mais graves, dentre eles os homicídios, os parentes das vítimas interessados na condenação dos assassinos investigam por conta própria e, às vezes, chegam a oferecer aos policiais os próprios carros particulares para que o crime seja investigado e os culpados presos e punidos. Sem essa cooperação, o trabalho de campo praticamente inexiste e a criminalidade aumenta. (Leia Mais Em Cidade)

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“Eu não criminalizei a política. Criminalizei os bandidos”, diz Janot

DESABAFO – “Não levei dinheiro do Miller nem autorizei ninguém a receber mala de dinheiro em meu nome. Nem tenho amigo com R$ 51 milhões em apartamento”
Por: Ana Dubeux , Ana Maria Campos , Helena Mader

No quarto andar da sede da Procuradoria-Geral da República, funcionários trabalham para adaptar um amplo gabinete ao novo ocupante, que acaba de chegar. Um arco e flecha pendurado à parede divide o espaço com uma escultura de tuiuiu e com uma coleção de canetas — uma delas, em destaque, foi usada para assinar a delação premiada de executivos da Odebrecht.
De camisa polo e com visual despojado, Rodrigo Janot parece alheio ao bombardeio que vem recebendo há meses. O mineiro, de Belo Horizonte, deixou o posto de procurador-geral da República no mais conturbado momento de seus 33 anos de carreira. Até a transmissão de cargo à sucessora, Raquel Dodge, foi controversa: Janot não compareceu à cerimônia de posse. Na entrevista exclusiva ao Correio, Janot explica a ausência: “Quem vai em festa sem convite é penetra”.
O procurador revela que não foi convidado nem mesmo para transmitir o cargo. Se fosse ao auditório, teria de procurar um assento. Ele conta que não havia sequer uma cadeira reservada. Mas garante que não se sentiria constrangido em dividir a cena com políticos que denunciou, como o presidente Michel Temer. “As pessoas que têm de se sentir constrangidas”, aponta.
Em duas horas e 20 minutos de conversa, o ex-chefe do MP relata os bastidores de momentos importantes que marcaram a Lava-Jato: o pedido de prisão do então senador Delcídio do Amaral, a morte do ministro Teori Zavascki, a “escolha de Sofia” na imunidade concedida ao empresário Joesley Batista em troca de provas contra Temer e as suspeitas envolvendo integrantes do próprio Ministério Público.
Janot deixou o cargo, mas não se afastou da turbulência. Pelo contrário. Ele sabe que, agora, começam de verdade os ataques, principalmente na CPI da JBS, comandada por aliados de Temer. “Vão tentar usar todo mundo e tudo contra mim… Tudo é possível, vão tentar desconstituir a figura do investigador”, diz. E já se defende: “Não levei dinheiro do Miller nem autorizei ninguém a receber mala de dinheiro em meu nome. Nem tenho amigo com R$ 51 milhões em apartamento”. Para quem acha que o ex-procurador-geral exagerou, ele rebate: “Não criminalizei a política. Criminalizei os bandidos”.

ENTREVISTA – PARTE I

ENTREVISTA – PARTE II

(Leia Mais Em Política)

Amapá é o pior Estado do Brasil no ranking de competitividade, diz estudo

EVASIVAS – Teles Júnior esconde a verdade sobre a má gestão de Waldez Góes na área econômica e sobre o desemprego em espiral crescente entre os jovens amapaenses

O recém-divulgado Ranking de Competitividade dos Estados 2017 acaba de implodir as exageradas previsões de crescimento econômico anunciadas pelo secretário de Estado do Planejamento, Antônio Pinheiro Teles Júnior. De acordo com o estudo, o Amapá é o pior Estado da federação no quisito desempenho em competitividade, aparecendo em 26º lugar, atrás, somente, do Acre, sob a gestão do petista Sebastião Viana.
O Ranking de Gestão e Competitividade dos Estados é um levantamento feito pelo Centro de Liderança Pública, em parceria com a consultoria Tendências e com a Economist Intelligence Unit (EIU) ), grupo que edita a revista inglesa The Economist. Essa ferramenta analisa a capacidade competitiva dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.
De acordo com a pesquisa, em 2017 o Amapá perdeu dez posições, passando do 16.º para 26.º lugar, tornando-se o Estado com o pior desempenho em 2017, especialmente pelo resultado obtido nas áreas de educação e capital humano. Ou seja, ao contrário da cantilena do auxiliar do governador Waldez Góes (PDT), a economia amapaense passa por um de seus piores momentos, com perspectivas nada alvissareiras para os próximos anos.
Na avaliação do Ranking de Competitividade dos Estados, os propagandeados investimentos realizados através dos inúmeros empréstimos contraídos por Waldez Góes, que teriam como principal objetivo alavancar a economia e promover o desenvolvimento do Estado, não estão surtindo nenhum efeito.
O ranking foi construído com base apenas em informações públicas, divulgadas por fontes oficiais e de referência, e ponderado de acordo com critérios do grupo de pesquisa. A análise leva em consideração 64 indicadores, em dez pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.
Os dados estão disponíveis no site http://www.rankingdecompetitividade.org.br. No topo da lista, como em edições anteriores, aparece São Paulo. O estado, em relação ao restante do país, destaca-se pela oferta e pela qualidade de serviços públicos e privados, além da boa infraestrutura. O Amapá é o último da lista. (Leia Mais Em Política)

População santanense questiona e critica gestão pífia de Ofirney Sadala

IMOBILIDADE – A gestão apagada de Ofirney Sadala em Santana vem gerando descontentamento popular e provocando críticas virulentas da vereadora Helena Lima contra as péssimas condições das vias públicas

Às vésperas de completar dez meses à frente da Prefeitura de Santana, Ofirney Sadala (PHS) ainda não conseguiu transformar suas promessas em realidade. Por isso, os munícipes não têm muito o que comemorar. O segundo maior município do Amapá não passa por um bom momento. Tem várias obras paradas, ruas cheias de buracos, lixo e mato nos logradouros da cidade, sem falar nos problemas relacionados à saúde pública.
Desde que tomou posse, Sadala ainda não conseguiu alavancar sua gestão. De todas as promessas feitas em campanha, uma delas seria a imediata recuperação de boa parte da malha viária do município. Até agora, as ações têm se restringido a raspagem e operações tapa-buracos.
A limpeza da cidade também vem gerando reclamação da população. As reações são provenientes dos péssimos serviços realizados em alguns bairros. O lixo e entulhos ficam amontoados às margens das ruas, o que vem tirando o sossego dos moradores que temem o aparecimento de bichos peçonhentos e ratos.
Morador da avenida Princesa Isabel, no bairro Hospitalidade, Denis Bandeira reclama do serviço inacabado. Para ele, a demora na retirada dos entulhos está causando transtornos para quem mora, assim como para quem precisa trafegar pelo entrono do canal da Hospitalidade.
Para quem mora no final da avenida 15 de novembro, no bairro Fonte Nova, a situação é a mesma. Segundo a dona de casa Maria de Nazaré Ramos, que reside no local há quase dez anos, um buraco formado no meio da rua impede o acesso que tem que ser feito por outra via até a avenida Princesa Isabel. Com a instabilidade do tempo, o problema tende a piorar.
Crítica virulenta da gestão Ofirney Sadala, a vereadora Helena Lima (PRP) afirmou que o prefeito precisa corrigir os rumos da sua gestão e aprender com os erros cometidos no primeiro semestre de 2017, lembrando que existe um descontentamento de parte da população que ainda espera respostas sobre as promessas feitas durante a campanha eleitoral.
Referindo-se à Educação em Santana, a vereadora, que também é professora, foi taxativa: “a gestão Ofirney Sadala está longe de realmente acertar e ter um direcionamento”. E prossegue: “A gente vê que ainda tem muitas falhas, mas o que a gente observa, por ter acesso, está participando de reuniões e indo questionar e fiscalizar em busca das coisas que estão acontecendo, é que a equipe [de governo] tem todo interesse de acertar, mas, alguns entraves ainda impedem esses avanços.”
Enquanto isso, o drama segue na área da saúde. Quem precisa, tem que passar a noite em frente ao posto de saúde municipal. O autônomo Josiclei Chaves contou que já perdeu as contas de quantas vezes teve que passar a noite em frente a Unidade de Saúde Antônio Siriero, no bairro Nova Brasília, para conseguir consulta com o clinico geral e dentista. “Durante a gestão passada, o problema era pior”, relembra ele.
Entre os graves problemas encontrados em Santana, destaque para a má conservação das vias principais e secundárias. As ruas dos bairros distantes do centro da cidade, por exemplo, não recebem a atenção do poder publico municipal e estão todas esburacadas. Com disso, o sofrimento da população carente quadruplica.
Para quem vive nas áreas de ressacas do município, a situação é pior. Muitas pontes ameaçam ruir como o que vem acontecendo nas passarelas da travessa L 12, no bairro Provedor I. Tempos atrás, parte de uma delas desabou e os moradores tiveram que improvisar o acesso pelo chão. Eles denunciam que alguns moradores — inclusive crianças — já sofreram acidentes no local.
A população ainda aguarda pelo cumprimento das promessas feitas por Ofirney Sadala durante a campanha eleitoral. Até quando, eis o mistério da fé. Em todo caso, Sadala precisa mover-se com mais rapidez e eficiência. Pelo menos, esta é a opinião corrente em Santana.

Governo Waldez Góes fica sem R$ 9 milhões do fundo penitenciário

DESLEIXO – A situação do Instituto de Administração Penitenciária é extremamente crítica. Além da superlotação, e o tratamento desumano aos presos, servidos com comida estragada, as dependências abandonadas comprovam que o governo investe o mínimo na conservação e manutenção do presídio

O Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP), por meio da Procuradoria da República no Município de Laranjal do Jari, recomendou ao governador do Estado, Waldez Góes(PDT), e ao secretário de Estado de Segurança Pública, Ericláudio Alencar, medidas para evitar a devolução de recursos oriundos do Fundo Penitenciário. Somente entre 2011 e 2013, mais de R$ 9 milhões que deveriam ser investidos na construção de unidades prisionais e na melhoria do sistema penitenciário estadual retornaram para os cofres públicos do governo federal.
No período, o Governo do Amapá firmou quatro convênios com o Ministério da Justiça; as propostas foram aprovadas e o recurso, liberado. Três delas previam a construção de cadeias públicas masculinas em Porto Grande, Laranjal do Jari e Amapá. Contudo, as propostas foram canceladas por falha do Estado, em 2014. O outro convênio, também cancelado, objetivava a construção de espaço para abrigar equipamentos de panificação e produção de tijolos. Com isso, os recursos foram devolvidos ao Funpen. Os valores perdidos pelo Estado poderiam subsidiar desde a construção de unidades prisionais, a treinamento de pessoal e fornecimento de equipamentos, como computadores, veículos, tornozeleiras, entre outros.
A PRM de Laranjal do Jari recomenda, ainda, a capacitação dos servidores responsáveis pela elaboração de projetos, bem como o cumprimento da Instrução Normativa STN Nº 01/97 que disciplina a celebração de convênios de natureza financeira que tenham por objeto a execução. Além disso, que sejam adotadas medidas de efetiva aplicação dos recursos recebidos para a melhoria do sistema carcerário no Amapá, dentre elas pequenas obras, treinamento de pessoal e implementação de projetos de educação nos presídios.
O governador do Estado Waldez Góes e o secretário de Segurança Pública, Ericláudio Alencar, foram notificados no fim de agosto. O MPF concedeu prazo de 30 dias para que ambos informem e comprovem as providências adotadas. Em caso de não atendimento à recomendação, podem ser tomadas medidas judicias cabíveis.

Operação Mãos Limpas: sete anos do maior escândalo político do Amapá

SUSPEITOS – O então governador Pedro Paulo, o ex-governador Waldez e sua esposa, Marília Góes, entre outras autoridades, foram detidas durante a operação deflagrada pela Polícia Federal

Era manhã de sexta-feira 10 de setembro de 2010, quando policiais federais cercaram os quatro cantos de Macapá e iniciaram a prisão de autoridades públicas, secretários de Estado, políticos, servidores públicos e empresários. Estava começando a “Operação Mãos Limpas”, autorizada pelo ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para evitar vazamentos e conseguir prender políticos graúdos no Amapá, a deflagração da Operação Mãos Limpas precisou alugar um navio com capacidade para 700 policiais federais, que viajaram 22 horas pelo rio Amazonas até desembarcar em Macapá, numa espécie de Dia D. As tábuas de maré, que quando secam dificultam o trânsito de navios em Macapá, foram exaustivamente estudadas para evitar o encalhe.
Foram dois meses de planejamentos, a um custo que alcançou mais de R$ 1 milhão. Em operações anteriores, como a Pororoca (2004) e Sanguessuga (2006), pessoas que seriam presas souberam que policiais federais chegavam à cidade por meio de informações repassadas do Aeroporto de Macapá “Alberto Alcolumbre”.
Para evitar novas fugas, dois bloqueadores de celular foram instalados no navio dos federais para impedir qualquer tipo de comunicação. Vindos de Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Brasília, os federais foram informados em um primeiro momento que cumpririam ação contra desmatamento na Amazônia. Só souberam o real objetivo da missão horas antes de desembarcarem no porto de Macapá.

PRISÃO ESPECIAL – Algumas autoridades presas pelos agentes federais foram conduzidas para o comando do 34º Batalhão de Infantaria do Exército

Foram alugados 140 carros particulares em Macapá, que esperaram estacionados a deflagração das ações por 45 dias. Para despistar os funcionários do porto, os federais se passaram por distribuidores de bebidas. Na hora do desembarque, às 2 horas da manhã do dia 10 de setembro, um vigia do porto e um agente da inteligência da polícia militar foram dominados para impedir que outras pessoas soubessem da movimentação. No primeiro dia da operação foram deflagradas 18 prisões temporárias e oito preventivas, além de 184 mandados de busca e apreensão e 87 conduções coercitivas.
As investigações da Polícia Federal que culminaram com a desarticulação da “maior organização criminosa do país”, conforme atestou o ministro Otávio Noronha, contaram com o auxílio da Receita Federal, Controladoria-Geral da União e do Banco Central, haviam iniciado em agosto de 2009, gestão do então governador Waldez Góes, um dos presos, sob a presidência do Superior Tribunal de Justiça. As apurações revelaram um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). (Leia Mais Em Política)

Palocci incrimina Lula em ação sobre propinas da Odebrecht

EX-PRESIDENTE – Lula é acusado por ex-ministro de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a Odebrecht e a Petrobras

O ex-ministro Antonio Palocci (fazenda/Casa Civil – Governos Lula e Dilma) incriminou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ação sobre propinas da Odebrecht. Palocci prestou depoimento perante o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, base da Operação Lava Jato.
Nesta ação, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a Odebrecht e a Petrobras.
“No jantar ocorrido no apartamento do presidente Lula, em que participaram todas essas pessoas, o ex-ministro Palocci os convenceu e os dissuadiu no sentido de que essa operação era escandalosa e que poderia expor demais essa situação. Ficou clara toda a participação do ex-presidente Lula”, afirmou o advogado Adriano Bretas, que defende Palocci.
Antonio Palocci confessou ter praticados crimes na Petrobras. Ouvido como réu em um processo criminal da Operação Lava Jato, o petista citou R$ 300 milhões da Odebrecht para o esquema do partido.
Durante duas horas, Palocci afirmou que está negociando um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, mas que colaboraria com a Justiça de forma espontânea.
O Ministério Público Federal aponta que propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo de R$ 504 mil.
Além do ex-presidente, também respondem ao processo o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), seu ex-assessor Branislav Kontic, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Despesa média com juiz no Brasil é de R$ 47,7 mil por mês, informa CNJ

“MARAJÁS” – Conselho Nacional de Justiça divulgou o Relatório Justiça em Números 2017, com os dados até 31 de dezembro de 2016 sobre a estrutura e a litigiosidade do Poder Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou balanço no qual informou que a despesa média do poder público com um magistrado no Brasil é de R$ 47,7 mil por mês. Há atualmente 118.011 magistrados no país.
O CNJ é o órgão de controle do Judiciário e os dados constam do Relatório Justiça em Números 2017, com os dados até 31 de dezembro de 2016 sobre a estrutura e a litigiosidade do poder.
De acordo com o conselho, o gasto mensal, relativo ao ano de 2016, contempla o salário e adicionais como benefícios, gratificações, diárias, passagens aéreas, auxílio moradia, entre outros.
Pela Constituição, a remuneração de um magistrado não pode ultrapassar R$ 33,7 mil, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do país.
Os “supersalários”, como são conhecidos aqueles que maiores que o teto, são permitidos porque, segundo entendimento do próprio STF, os “penduricalhos” não entram no cálculo.
Um dos casos que mais chamou a atenção foi revelado no mês passado, quando um juiz do interior do Mato Grosso recebeu R$ 503,9 mil. Além do salário normal, de R$ 28,9 mil, Mirko Vincenzo Giannotte, da 6ª Vara da Comarca de Sinop, recebeu o restante em gratificações, vantagens, indenizações e adicionais.

Despesas com juízes
Divulgado recentemente, o Justiça em Números informa que a despesa média com magistrados é maior no Mato Grosso do Sul, onde juízes e desembargadores receberam R$ 95,895 mil por mês em 2016.
O menor valor médio por magistrado é registrado no Piauí, onde cada um recebe R$ 23,387 mil.

Produtividade dos juízes
O relatório divulgado pelo CNJ revela que cada juiz proferiu, em média, no ano passado, mais de 7 sentenças por dia (1.749 decisões diárias).
Mesmo assim, o estoque de processos em tramitação na Justiça em 2016, ainda sem solução, chegou a 79,7 milhões.

Lançamento
No lançamento dos dados, a presidente do CNJ e do STF, ministra Cármen Lúcia, destacou a transparência dada aos números do Judiciário.
“O Poder Judiciário quer se mostrar, exatamente para se aperfeiçoar. O Poder Judiciário não tem nenhum interesse em se mostrar encoberto”, afirmou.
Presidente em exercício do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luiz Fux defendeu a categoria dos magistrados no discurso.
“Que nós estejamos sempre atentos para atos de grandeza, mas também muito atentos para movimentos recentes que procuram minimizar, enfraquecer a figura do juiz, a instituição do Poder Judiciário. Há várias estratégias para se chegar a esse ponto. De sorte que a primeira reação é através de atos de grandeza. A segunda reação é termos consciência que a situação que está aí leva o Brasil ao naufrágio é só o Poder Judiciário pode levar nossa nação a um porto seguro”, declarou o ministro.

Rios de lágrimas: transporte fluvial na Amazônia continua fazendo vítimas fatais

SINISTROS – O naufrágio do “Cap. Ribeiro” é uma triste repetição de outros acidentes igualmente graves. Esses acidentes estão em espiral crescente devido ao aumento no número de embarcações navegando nos rios amazônicos
Reportagem: Emanoel Reis

Cerca de trinta passageiros, dos mais de quarenta que viajavam no barco “Capitão Ribeiro”, teriam morrido no naufrágio ocorrido no rio Xingu, entre os municípios de Porto de Moz e Senador José Porfírio, no Pará. A estimativa é da Capitania dos Portos do Amapá, que participa das buscas e resgate das vítimas. Conforme as investigações iniciais, a embarcação, que tinha escala nos municípios paraenses de Monte Alegre, Prainha e Vitória do Xingu, navegava com excesso de lotação e de carga, e estava irregular.
O naufrágio do barco “Capitão Ribeiro” novamente expõe uma estatística macabra construída em cima dos sucessivos acidentes que ocorrem nos rios amazônicos, e continuam enlutando milhares de famílias, apesar das campanhas e alertas disparados, principalmente, pela Capitania dos Portos. Ainda hoje, em Macapá, muitos lembram do naufrágio do barco “Reis I”, ocorrido às vésperas do Círio de 2013, durante a procissão fluvial em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré. O acidente causou a morte de dezoito romeiros.
Mas, como prevenir ou evitar essa sequência de acidentes se os rios são os caminhos naturais na Amazônia? Servida por escassos 16 mil quilômetros de rodovias pavimentadas (muitas delas intransitáveis na época das chuvas) e ínfimos 450 quilômetros de ferrovias, a região possui metade do total de 48 mil quilômetros de vias navegáveis do país.
Se o transporte fluvial é, dessa forma, quase o único meio de atender aos deslocamentos de carga e da população, a precariedade das embarcações e a falta de instalações portuárias compatíveis, a frota obsoleta, a superlotação constante de carga e de passageiros e uma fiscalização despreparada e omissa fornecem os ingredientes das tragédias, que todos os anos ocorrem nos rios Amazonas, Madeira, Solimoes e afluentes menores.
Desde meados do século passado, quando o empresário Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, criou uma companhia de navegação no Amazonas, a iniciativa privada e mesmo os governos se desinteressaram de investir na formação de linhas regulares, fazendo proliferar um tipo de transporte que opera em bases semelhantes aos dos perueiros clandestinos nas grandes cidades.
A situação se agravou a partir dos anos 1970 e 1980, quando o garimpo, a rodovia Transamazônica (hoje engolida pela selva) e projetos como o Jari, que representavam a “integração” e o “Brasil grande” dos governos militares, trouxeram para a Amazônia uma leva de migrantes maranhenses, piauienses e cearenses, atraídos pela possibilidade de empregos. A população do estado do Amapá, por exemplo, cresceu 357% em 30 anos em função desses projetos e de outros, como a exploração de manganês na Serra do Navio.
Foi precisamente na rota pelo rio Amazonas, entre Macapá, capital do Amapá, e o enclave de 36 mil quilômetros quadrados do Projeto Jari, às 8 horas da noite de uma segunda-feira, 6 de janeiro de 1981, que o barco Novo Amapá naufragou com mais de 600 pessoas a bordo, quando sua capacidade não ultrapassava 150 passageiros.
Como se tratava de modestos trabalhadores braçais e não da elite endinheirada, como aquela que em 31 de dezembro de 1988 submergiu, em pleno réveillon na baía de Guanabara, junto com o Bateau Mouche, o episódio não chegou a causar comoção nacional, nem serviu de alerta para evitar tragédias futuras. Foram resgatados pouco mais de 300 corpos e outros 70 foram dados como desaparecidos, tornando impossível precisar o número total de vítimas fatais.

Reportagens sobre o naufrágio no rio Xingu:

(Leia Mais Em Cidade)

Governantes negligenciam seus deveres e Complexo do Araxá vira terra arrasada

DECADÊNCIA – A sujeira que alastra-se pelo Complexo do Araxá surpreenderia qualquer visitante. Para empresário, somente a vontade dos governantes resolveria esse problema
Por: Emanoel Reis

O que deveria ser um dos principais cartões postais de Macapá, atraindo turistas dos Estados próximos e, até do exterior, virou terra arrasada, com calçadas ruindo, blocos de concreto do muro de arrimo arrancados à força de fórceps pelas águas do rio Amazona, lama, mato e muito lixo espalhado ao redor dos quiosques. Este é o retrato desfocado do Complexo Turístico do Araxá, que ocupa uma extensão de quase dois quilômetros na orla de Macapá, um dos mais belos cenários da Amazônia Legal, segundo opinião de renomados especialistas, a exemplo do pesquisador Nemézio Filho, doutor em Comunicação Cultural e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cuja visita à capital amapaense foi marcada por um almoço em um dos restaurantes do Araxá, às margens do maior rio do mundo. O que ele afirma ter sido um dos melhores momentos de sua vida.
Atualmente, e apesar das promessas reverberadas nos palanques e comícios, é desaconselhável ao habitante de Macapá ciceronear parentes ou amigos em qualquer excursão pelo Complexo do Araxá. É certeza absoluta de expor-se a constrangimentos e de obrigar o visitante a externar opiniões desagradáveis sobre a cidade do anfitrião. E pior: ser obrigado a ouvir tais críticas em silêncio sepulcral por falta absoluta de argumentos para convencer o interlocutor do contrário. Infelizmente, ele estará certo ao apontar as enormes crateras na calçada, os blocos de concreto espalhados às margens do rio, o mato abundante para mais de metro de altura, o lixo saltando aos olhos.
Questionado sobre as precárias condições do Complexo Turístico do Araxá, o empresário Reinaldo Von Sharten ergueu a sobrancelha com malícia, levantou o braço direito e apontou em direção à zona sul da cidade, mais precisamente para a avenida FAB, uma das principais vias de Macapá, onde estão localizadas as estruturas das três esferas de poder: judiciário, executivo e legislativo. Tanto do Estado quanto da capital. “A solução está na vontade daqueles dois senhores que ocupam os dois cargos mais relevantes: governador e prefeito de Macapá. Se eles quisessem, a situação do Araxá seria outra.”

Desleixo é deprimente: