Cuspindo no prato
A precipitação político-eleitoral de Jorge Amanajás
Artilharia pesada contra ex-governo revela ânsia em marcar posição
O discurso do deputado estadual Jorge Amanajás, presidente da Assembleia Legislativa do Amapá e pré-candidato ao governo pelo PSDB, mudou sobremaneira. Ele tem feito duras críticas ao ex-governo Waldez Góes (PDT), de quem foi aliado por pelo menos uns seis anos e meio. Pelo conteúdo do enunciado, Amanajás escolheu Waldez Góes para sparing com a proposta, subliminar, de atingir o ex-secretário da Saúde e atual governador Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), da mesma forma destacado membro do staff do ex-governador. Pedro Paulo está na disputa pelo Palácio do Setentrião.
Jorge Amanajás apareceu na TV caminhando sobre estivas, desancando a Saúde, metralhando a Segurança, implodindo a Educação. Nota-se que é observado com surpresa por moradores parados sobre uma ponte paralela, malvestidos, desnutridos e descalços. Mas, Jorge… Ah, Jorge! O presidente da AL está impecável. A camisa alinhada. Bem escanhoado. Nenhum fio de cabelo esvoaçando. Com aquele ar professoral que lhe é peculiar, enumera os senões do ex-governo Waldez Góes com a voz embargada pela “revolta”. Deixando nas entrelinhas a mensagem de que se eleito governador todas as mazelas expostas serão minimizadas.
Causa surpresa notar que somente agora, após sete anos e cinco meses, Amanajás reconhece que a saúde, segurança, educação, o transporte urbano, o saneamento básico e quase toda a estrutura do Estado está seriamente comprometida. Alguns itens, como o saneamento, sequer existem. Das duas uma: ou Jorge está sendo mal orientado por seus “marqueteiros” de pré-campanha para que demonize um governo do qual foi por muito tempo principal pilar na AL. Ou então, avaliou equivocadamente os primeiros movimentos de aspirante ao governo do Amapá ao entender o ataque como arma de defesa.
Jorge Amanajás não precisava se expor tão precocemente. Os outros pré-candidatos ao GEA, o ex-deputado estadual Lucas Barreto (PTB) e o próprio Pedro Paulo, também personagens desenvoltos nos bastidores do governo Waldez Góes, principalmente o último por ter exercido a vice-governadoria desde 2003, se mantem na espreita tergiversando sobre as respectivas estratégias eleitorais de pré-campanha. E como Jorge definiu o alvo e antecipou a artilharia, com certeza Lucas e Pedro Paulo deverão seguir caminhos transversos. Já devem ter entendido que bombardear o ex-governo Waldez Góes nas circunstâncias atuais pode ser interpretado pelo eleitor amapaense como atitude de quem está cuspindo no prato que comeu. E no qual tantas vezes se lambuzou.
