Curtas & Certeiras
Reapareceu cantando
O ex-governador Waldez Góes deu o ar da graça em público, coisa que não fazia desde que foi preso pela PF na operação Mãos Limpas. Ele apareceu no ensaio da Embaixada de Samba Cidade de Macapá, comandada por gente da família de seu aliado o ex-senador Gilvam Borges. Ao lado de Ivo Canutti, Waldez cantou “É Hoje” (de Caetano Veloso), uma das duas músicas de seu repertório (a outra é um carimbó do Pinduca). O ex-governador não aparecia em público desde a convenção do PDT.
Queda de prefeitos
Pesquisa divulgada esta semana pela Confederação Nacional dos Municípios mostra que dos 5.563 prefeitos eleitos em 2008, 383 não estão mais no cargo. Foram cassados 210, 48 deles por fraudes na campanha eleitoral. No Amapá, só quem perdeu o mandato foi Zezinho, da Pedra Branca. Cassado seis vezes, Roberto Góes, prefeito de Macapá, segue na cadeira por força de liminares. Euricélia Cardoso, de L. do Jari, foi cassada e voltou ao mandato por decisão do TSE.
O governo era outro
Tentando jogar a culpa no atual governo, algumas emissoras de rádio divulgaram esta semana, tendo como fonte o Ministério Saúde, dados sobre mulheres sem atendimento médico durante a gravidez. No percentual de óbitos entre menores de um ano por causas mal definidas, o Amapá apareceu com 57,6, para média nacional de 50,4. O que elas esconderam é que os dados são de 2008/2009, quando Waldez Góes era o governador do Estado.
Sentença desrespeitada
Faz dois meses que Martinha Souza, com decisão judicial debaixo do braço, tenta ocupar vaga no Conselho Tutelar da Zona Norte de Macapá, mas a sentença da 1ª Vara Cível e de Fazenda Pública da capital não é cumprida. Martinha ganhou a vaga de Marlete Oliveira e Marco Antônio Santos, considerados inaptos para o exercício do cargo. O município parecer ter jogado a sentença no lixo, e vai ficando por isso mesmo.
Inscrição falsa
Acusadas de usar documentos falsos para inscrição de eleitor, 20 pessoas foram denunciadas pelo promotor de Justiça Afonso Guimarães, de Santana. Os denunciados seriam cabos eleitorais de candidatos, que induzem eleitores a fazerem transferências fraudulentas de domicílio eleitoral com o fim de obterem os votos. Quem inscreve e quem fornece declaração falsa pode pegar até cinco anos de cadeia.
Projeto básico
Autorizada pela Aneel, a Ferreira Gomes Energia já pode realizar estudos geológicos e topográficos necessários à elaboração do projeto básico da Linha de Transmissão, em 230kV, UHE Ferreira Gomes – SE Macapá, com extensão aproximada de 85 km, em circuito simples, que passará pelos municípios de Ferreira Gomes, Porto Grande e Macapá, no Estado do Amapá.
Liberação aprovada
Na volta do recesso, a Sudam referendou a aprovação de 41 projetos de empresas que pleiteavam incentivos fiscais. A diretoria aprovou, ainda, a liberação financeira da terceira subparcela ao projeto da empresa Santo Antonio Energia pela implantação da UHE Santo Antonio. O empreendimento é financiado pelo Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e tem capacidade de geração de 3.150,40 MW de energia.
Remoção de juízes
O juiz federal Flávio da Silva Andrade, que estava na Secção Judiciária da Bahia, acaba de ser titularizado, pelo critério de antiguidade, na Vara Única da Subseção Judiciária de Laranjal do Jari, no Amapá. Já o juiz Náiber Pontes de Almeida está saindo de Goiás para ser o titular na Vara Única da Subseção Judiciária do Oiapoque, pelo critério de merecimento.
Nada mudou
Desde janeiro deste ano, a Assembleia Legislativa do Amapá vem tendo repasse mensal de quase R$ 14 milhões, por força da lei promulgada pelo deputado Moisés Souza, que o Estado ainda não conseguiu derrubar. Mesmo assim, segundo servidores, a Casa não vem recolhendo as consignações descontadas em folha e falta até o cafezinho nas salas.
Articulando motim
Assinando artigo no qual se apresenta como Bombeiro Militar, Alexander Costa, filiado ao PSOL, revela que a Associação dos Militares do Amapá tem se posicionado a favor de motim (militar não faz greve) no Estado. No mesmo artigo, publicado em blogs, Costa diz que a classe ficou esquecida desde 2003 (quando Waldez Góes assumiu o governo). O detalhe: nos oito anos de Waldez os bombeiros ficaram caladinhos, embora tenham passado da sexta para a nona posição nacional em termos de remuneração.
Os marajás do Amapá – Os deputados mais bem pagos do Brasil
Por Heverson Castro
Apesar de teoricamente ser nominada a “Casa do Povo”, pouquíssimas pessoas sabem realmente o que acontece nos subterrâneos da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá. Uma caixa-preta que ninguém ousa abrir sob pena de ser execrado em praça pública, não somente pelos parlamentares, mas, em especial, por quem se locupleta das vantagens proporcionadas pela subserviência e anuência às vaidades e ambições de quem comanda o legislativo estadual.
Recentemente, a revista Época publicou reportagem de uma página sobre a verba indenizatória recebida pelos deputados estaduais amapaenses. Exatos R$ 100 mil por mês. A maior do Brasil segundo assinalou o autor da matéria, jornalista Danilo Thomaz. Perde para Alagoas, R$ 39 mil; e (pasmem!) para o Maranhão, R$ 32 mil. E causa indignação – e repulsa – quando Thomaz inicia o texto destacando que “(…) o Amapá está na lanterna entre os Estados brasileiros no ranking da produção de riqueza – a soma de tudo o que lá se produz equivale a apenas 0,2% do PIB nacional, o pior resultado do país. Essa pobreza contrasta com a generosidade dos políticos do Estado em se concederem regalias”.
Mas para chegar a esse valor estratosférico, um grupo de deputados, reeleito e não reeleito nas eleições de 2010, começou a urdir um plano recheado de sutilidades jurídicas, combinado com habilidade típica de punguistas, em parceria com a antiga Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, presidida na época pelo ex-deputado e candidato derrotado ao governo do Amapá, Jorge Amanajás (PSDB). Trata-se do Ato de Nº 002/2010 promulgado em 18 de outubro de 2010 e assinado, além do próprio Amanajás, pelos deputados e deputadas Dalto Martins (PMDB), Eider Pena (PDT), Jorge Salomão (DEM), Mira Rocha (PTB) e Meire Serrão (PMDB). Com apenas uma canetada, a verba indenizatória dos parlamentares passou de R$ 15 mil mensais para R$ 50 mil. Um aumento de mais de 150% e completamente amoral se comparado às enormes deficiências sociais vividas pela população pobre do Amapá, que alcança 68% de sua totalidade. Clique aqui e leia mais…
Tráfico de drogas em Macapá alcança níveis alarmantes
O combate ao tráfico de drogas em Macapá, coordenado pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), em conjunto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), já conseguiu desbaratar inúmeras quadrilhas que atuavam desenvoltas em bairros como Buritizal, Brasil Novo, Renascer e Perpétuo Socorro. As ações policiais, deflagradas a partir de longas investigações ou por meio de denúncias anônimas, conseguiram desmobilizar esquemas criminosos montados em residências aparentemente insuspeitas, e comprovar o envolvimento de famílias inteiras na compra e venda de drogas.
As prisões dos traficantes e o rompimento da corrente criminosa, contudo, têm sido insuficientes para conter o avanço do comércio de entorpecentes na capital do estado, impulsionado, principalmente, pelo crescente consumo promovido por jovens das classes média e alta. Sem descartar, porém, a afluência da juventude periférica, usuária maior de drogas acessíveis como o crack e o óxi, comprovadamente mais baratas, pesadas e letais.
A quantidade de novas “bocas” (pontos de venda de drogas) que surgem semanalmente, suplanta as desmobilizadas pelas operações policiais. Traficantes são presos, trancafiados nas celas do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), mas, em poucos dias surgem outros em substituição aos anteriores, e cada vez mais audaciosos e violentos. O trabalho realizado pelo delegado Antônio Uberlândio Gomes, titular da DTE, vem obtendo bons resultados, no entanto, os traficantes são em maior número.
A participação de mulheres no tráfico de drogas vem aumentando sobremodo nos últimos anos. A constatação é do próprio delegado da DTE, Uberlândio Gomes, e também de estatísticas sobre a população carcerária brasileira que revelam, em nível nacional, aumento crescente de mulheres que cumprem pena nas penitenciárias por envolvimento na compra e venda de entorpecentes.
Em Macapá, não poderia ser diferente. Famílias de baixa renda, geralmente chefiadas por mulheres residentes em bairros periféricos, estão sendo cooptadas pelos traficantes para que as casas onde moram se transformem em “bocas”. O argumento é o mesmo: possibilidades de ganhos fáceis acima dos R$ 3 mil por mês, e consequente melhora no padrão de vida. Clique aqui e leia mais…
A história nas páginas dos jornais
Jornal do Dia, 23 de julho de 2008 – Da coluna “Respingando”, à época assinada por Paulo Silva
MENTOR INTELECTUAL
“A Polícia Federal afirma que Eike Batista, que distribuiu dinheiro para campanha política no Amapá, foi o “mentor intelectual” da fraude na licitação da estrada de ferro Santana – Serra do Navio. De acordo com a PF, Eike, como presidente do conselho administrativo da MMX, não tinha como não saber do andamento do processo. Antes da eleição de 2006, Eike veio comer churrasco e abraçar gente poderosa no Amapá”.
Diário do Amapá, 10 de julho de 2009 – Da coluna “From”, assinada por Luiz Melo
VANTAGEM
“Não é de hoje que o cantor paraense Nilson Chaves faz de Macapá o seu “tesouro” musical. Começou com Capiberibe e continua “cantando”a Deus dará no atual governo, via Secretaria da Cultura, de Milhomem – de onde teria levado, recentemente, mais de R$ 300 mil por um projeto que ninguém nunca conheceu”.
Diário do Amapá, 15 de julho de 2009 – Da coluna “From”, assinada por Luiz Melo
O PIOR
O “Clube dos Amapaenses Radicados em Brasília”, que reúne pessoas do Amapá e amigos diversos que estudam em faculdades ou trabalham em gabinetes parlamentares na capital federal, e ainda nas representações de Estado e município, fez uma enquete em “escrutínio secreto” nesse domingo. O objetivo era eleger o parlamentar que tem a pior assessoria entre os três senadores e os oito deputados federais. Ganhou disparado o gabinete do deputado federal Jurandil Juarez.
RECADO
Resultado da enquete feita pelos amapaenses radicados em Brasília foi enviado tanto para o deputado Jurandil Juarez quanto para seus assessores, que foram ungidos como os piores de toda a bancada federal.
Com o resultado da votação, os amapaenses e lideranças comunitárias que visitam o Congresso esperam que haja uma urgente reflexão por parte do parlamentar.
Caso contrário, ele terá graves DIFICULDADES DE SE REELEGER.
LUIZ MELO, O PÍTON (VAI ADVINHAR ASSIM NA BAIXA DA ÉGUA, MELO!!!!!)
A guerra dos quebrados
O jornal A Gazeta, de Silas Assis Júnior, vem batendo duro nas costelas do governador Camilo Capiberibe (PSB), com manchetes e reportagens cada vez mais incisivas e arrasadoras, numa clara demonstração de que não apoiará o governo nem com a oferta de muito dinheiro. É a guerra de um jornal, criado e amplamente apoiado na gestão do ex-governador Waldez Góes (PDT), numa ligação umbilical tão evidenciada que tem hoje como colaboradores diretos dois ex-secretários de Estado da Comunicação de Waldez, Olympio Guarany e Marcelo Roza. Ambos amigos e parceiros do dono do jornal desde quando exerciam seus respectivos cargos, cada um num período diferente.
Silas Assis Júnior jamais receberá do governo Camilo Capiberibe o volume de dinheiro que recebia do governo Waldez Góes. E pela artilharia pesada que vem utilizando para bombardear o Palácio do Setentrião, demonstra claramente não ter nenhuma intenção em firmar qualquer tipo de acordo comercial com o GEA. E como jornal em Macapá dificilmente sobrevive só de anúncios (principalmente um jornal diário), pergunta-se como Silas Assis Júnior vem garantindo a manutenção de seu parque gráfico, a folha de pagamento de seus funcionários e assegurando a compra de papel para imprimir o periódico.
É notória a ligação de Silas Assis Júnior com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Foi uma das “heranças” deixadas pelo pai dele, o falecido jornalista Silas Assis, também conhecido editor de jornais na região Norte. Quando em 1999 fundou o Jornal do Dia em Belém (PA), Silas Assis Júnior tinha dois sócios: o fiscal de tributos do Estado, Teófilo Palmeira, e o então policial civil e presidente municipal do Partido Verde, Paulo Castelo Branco.
O projeto do Jornal do Dia, que à época tinha como editor-chefe o falecido jornalista Arlindo Souza, não apresentava nenhuma novidade. Mas para um tabloide despretensioso, balançou as estruturas dos jornalões paraenses com uma estratégia simples, por isso mesmo eficiente. Para se diferenciar dos demais, Silas Júnior focalizou duas editorias: Polícia e Esporte.
Para a Editoria de Polícia, contratou o experiente jornalista Raimundo Oliveira, na ocasião assessor de Imprensa da Coordenadoria de Polícia Civil do Pará e que por mais de dez anos fizera dupla em O Liberal com o conhecido repórter policial Ítalo Gouvêa, e de tabela fechou contrato de exclusividade com o fotojornalista Fernando Nobre, o “Passarinho”, ex-Diário do Pará.
Esses dois jornalistas começavam a trabalhar às 23 horas. Até as 5 horas da manhã “raspavam” tudo que acontecia na área policial em Belém. Antes das 10 horas, o jornal estava na gráfica, com ampla cobertura policial em três páginas, e manchetes que somente o Arlindo Souza sabia construir. Às 2 horas, o Jornal do Dia estava nas ruas, com notícias da área de Polícia que O Liberal, Diário do Pará e A Província do Pará só iriam veicular 24 horas depois.
Foi um dos maiores sucessos editoriais da história recente da imprensa paraense. O Jornal do Dia de Silas Assis Júnior vendia como sal. Era bom e barato. Com o tempo, os gazeteiros passaram a disputar no tapa cada exemplar do tabloide. Mas se por um lado era um sucesso editorial, o mesmo não acontecia no departamento comercial, sob a direção das irmãs de Silas Júnior, Telma e Sandra Assis. Em menos de seis meses, os salários começaram a atrasar, um claro sinal de que o negócio não andava bem das pernas.
Silas Júnior não obteve do governo Almir Gabriel (PSDB), tampouco do prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT), a salvaguarda financeira de que precisava para assegurar a longevidade de seu jornal. Fez alguns poucos acordos de bastidores, empreendeu manobras nada convencionais para pressionar alguns figurões da política paraense, contudo, os resultados foram pífios para quem acostumara-se às grandes jogadas provenientes, exatamente, de quem sabe como poucos instrumentalizar o veículo jornal para obter lucros fabulosos.
Foi após uma viagem ao Estado Maranhão que semanas depois Paulo Castelo Branco entrou eufórico na redação do Jornal do Dia anunciando a boa-nova: fora nomeado superintendente do IBAMA Pará. “De agora em diante, a história do Jornal do Dia vai ser diferente. E os salários não mais atrasarão”, anunciou ele, cheio de empáfia.
Silas Assis Júnior e Paulo Castelo Branco defenestraram Teófilo Palmeira da sociedade (esse acontecimento será narrado numa outra ocasião). Palmeira, que além de fiscal da SEFA também integrava – e integra – a cúpula da Igreja Assembleia de Deus no Pará, sentiu o knockdown, beijou a lona, saiu carregado do ringue, no entanto, logo se recuperou e passou a relatar a história escabrosa para quem quisesse ouvir.
Já Silas Assis Júnior e Paulo Castelo Branco… (esta é uma outra história, e que história!)
Furto de trabalho intelectual é denunciado por jornalistas
Nas últimas semanas, os jornalistas Chico Terra e Gabriel Penha foram vítimas de “furto intelectual”. Chico Terra distribuiu pela Internet texto de sua autoria criticando os jornais diários e semanários pelo uso de material fotográfico produzido pelos profissionais da Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) sem o o devido crédito. Já o caso de Gabriel Penha é, no mínimo, surrealista. Como assessor de Imprensa da Secretaria de Estado da Afrodescendência (Seafro), ele teve um texto seu, resultado da cobertura jornalística de uma viagem da secretária Marilda Leite ao município de Mazagão, assinado indevidamente por uma jornalista da própria Secom. Para os dois experientes profissionais, trata-se de crime contra a propriedade intelectual praticado deslavadamente por quem ignora os princípios mais elementares da ética jornalística.
E os queixumes de Chico e Gabriel não soam extemporâneos. Publicada pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a cartilha intitulada “O Direito autoral no jornalismo” virou leitura obrigatória para criadores de obras intelectuais, coletivas ou individuais, que todos os dias têm os seus trabalhos surrupiados por verdadeiras quadrilhas de plagiadores – pessoas que se apropriam dolosamente do trabalho alheio, utilizando-o sem citar a fonte e, às vezes, assumindo a autoria dele.
O crime contra a propriedade intelectual está tipificado no Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. De acordo com o parágrafo 1º, do Artigo 184 do Código Penal crimes contra a propriedade intelectual consistem na “(…) reprodução, por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente”.
No entendimento do legislador, ao criar uma obra de espírito, o autor adquire dois direitos: o moral e o patrimonial. O direito moral (ter o seu nome citado todas as vezes que a obra for utilizada) é irrenunciável e inalienável, e o direito patrimonial é negociável total ou parcialmente, para sempre ou por tempo determinado, tratando-se de assalariado ou free-lancer. O artigo 28 da Lei Nº 5.988/73 igualmente considera expressamente a inalienabilidade e irrenunciabilidade dos direitos morais do autor.
As críticas de Chico Terra e Gabriel Penha aos surrupiadores de trabalhos alheios tem ampla procedência. Contudo, as leis e jurisprudências sobre o assunto geram mais contradições do que certezas. Provocam mais confusões, mal-entendidos, do que esclarecimentos sobre os crimes contra a propriedade intelectual porque são muitas e permitem um sem número de interpretações.
A cartilha da FENAJ, órgão máximo de representação dos jornalistas brasileiros, apresenta uma coletânea de textos extraídos do Código Penal para consulta permanente. Também é esclarecedora quanto às violações dos direitos do autor: “Constitui-se [crime] (…), o fato de alguém, na utilização da obra intelectual, deixar de indicar ou mencionar o nome do autor, intérprete ou executante. Neste caso, além de responder por danos morais, está obrigado a divulgar-lhe a identidade” (O Direito Autoral no Jornalismo – FENAJ). Bem como aquele que comete plágio, cujo crime consiste em apresentar como própria a obra intelectual produzida por outra pessoa, igualmente está passível de processo criminal. Clique aqui e leia mais…
Congresso debate futuro das rádios comunitárias
A Rede Abraço de Rádios Comunitárias realizou na manhã de domingo, 28 de novembro, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Amapá (OAB-AP), o Congresso Estadual “Rádios Comunitárias: As Inovações Tecnológicas e o Desenvolvimento Local”.
Cerca de 20 pessoas estiveram presentes ao evento e debateram sobre o movimento de rádios comunitárias no Brasil. O ex-candidato a deputado estadual e ativista digital Heverson Castro lembrou que o debate sobre comunicação comunitária se fortaleceu durante a formulação da Constituição de 1988. Foram seguidos anos de luta até o surgimento da Abraço, em 1996.
Diante do novo quadro político no Brasil e no Estado do Amapá, Castro diz que a Rede agora vai priorizar a formação política no interior, inclusive, trazer o debate de igualdade entre os gêneros e, salientou ele, fundamentalmente buscar consultoria jurídica para enfrentar a burocracia imposta pelo Ministério das Comunicações na legalização das emissoras; melhorar a gestão e fortalecer mecanismos de sustentabilidade das rádios; e priorizar a produção e distribuição de conteúdo informativo.
Judiciário X Imprensa
Justiça do Tocantins censura ‘Estado’ e mais 83 veículos
27 de setembro de 2010 | 8h 02
AE – Agência Estado
O desembargador Liberato Póvoa, do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), decretou censura ao jornal O Estado de S. Paulo e a outros 83 veículos de imprensa, proibindo-os liminarmente de divulgar qualquer informação a respeito de investigação do Ministério Público de São Paulo que cita o governador Carlos Gaguim (PMDB) como integrante de organização criminosa para fraudes em licitações.
A mordaça, em nove páginas, foi imposta sexta-feira e acolhe pedido em ação de investigação judicial eleitoral da coligação Força do Povo, formada por 11 partidos, inclusive o PT, que apoia Gaguim. Na campanha pela reeleição, Gaguim tem recebido no palanque a companhia do presidente Lula e da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.
O desembargador arbitrou “para o caso de descumprimento desta decisão” multa diária no valor de R$ 10 mil. Ele veta, ainda, publicação de dados sobre o lobista Maurício Manduca. Aliado e amigo do governador, Manduca está preso há 10 dias. A censura atinge oito jornais, 11 emissoras de TV, cinco sites, 40 rádios comunitárias e 20 comerciais.
O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, considera um “absurdo a decisão judicial de censurar jornais”. Ele ressalta que a medida, “além de afrontar a Constituição, se revela mais uma tentativa de impedir a imprensa de cumprir seu papel histórico de fiscalizar a gestão pública”. O gerente jurídico do Estado, Olavo Torrano, disse que a decisão “causa preocupação e perplexidade”. O jornal vai recorrer. Clique aqui e leia mais…
Imprensa equivocada
A ineficácia da enquete como ferramenta de pesquisa eleitoral
Em ano eleitoral, pipocam nos veículos de comunicação pesquisas eleitorais das mais diversas, com o intuito de sondar, naquele momento, a intenção de voto da população e analisar como anda o cenário político do segmento pesquisado. Porém, as pesquisas ou sondagens eleitorais (enquetes) divulgadas para a população (eleitores) ou até mesmo restritas a consumo interno, devem ser regidas de acordo com as diretrizes da legislação eleitoral vigente, caso contrário os envolvidos poderão ser punidos com multas e sofrer pena de até seis meses de trabalho voluntário.
Quando se fala em pesquisar a intenção de voto do eleitor a primeira ação a se fazer é verificar em qual classificação a pesquisa se encaixa. Segundo especialistas em direito eleitoral, existem duas classificações que abrangem as pesquisas. São a pesquisa eleitoral e a sondagem eleitoral (enquete). Cada uma tem sua regulamentação, por isso, antes de fazê-la, é preciso conhecer bem suas recomendações.
A pesquisa eleitoral tem caráter cientifico, pois passa por planejamento e a execução atende a uma série de pré-requisitos exigidos para conseguir respaldo cientifico. A pesquisa eleitoral segue todo um planejamento técnico e cientifico. Nela devem estar contidas informações, tais como idade, sexo, número de eleitores entrevistados, período e localidades onde foram coletados os dados. E o principal: as pesquisas eleitorais só podem ser divulgadas após o registro prévio no TRE.
A sondagem eleitoral parte de uma provocação de alguém ou de um determinado grupo, geralmente por motivação voluntária. Ela é muito utilizada nos blogs e em sites jornalísticos, porém, seu resultado não pode ser considerado como cientifico, pois não atende a nenhum planejamento e o resultado reflete apenas a opinião daqueles internautas que votaram. Ou seja, o universo de uma sondagem eleitoral através da enquete, por exemplo, é voltado apenas a um segmento. Dependendo do sistema, uma mesma pessoa pode votar mais de uma vez num mesmo candidato, e até aquelas que não estão aptas a votar podem também, com um clique, escolher o seu candidato.
Apesar do parecer de especialistas, na quinta-feira, 2 de setembro, um jornal local transformou uma enquete, que pode ser manipulada livremente por qualquer pessoa, em fato jornalístico de grande relevância. Dessa forma, como veículo de comunicação do mass-media (grande imprensa) o periódico prestou um desserviço à população amapaense ao revestir de credibilidade um instrumento empírico de aferição popular.
O próprio jornal, numa medida desnecessária para eximir-se de qualquer responsabilidade, “esclarece” o leitor sobre a ineficácia da enquete como ferramenta de pesquisa eleitoral. Há de se concluir que, se não tem nenhum valor científico, não serve, portanto, para ilustrar matéria jornalística. Caso contrário, pratica-se o antijornalismo. Em vez de dirimir, cria mais dúvidas.
Fim indefinido
As intermináveis obras da rodovia BR-156
Precisar o volume de recursos anunciados ou efetivamente alocados nos últimos dez anos para a BR-156, rodovia federal que atravessa o Estado do Amapá de norte a sul, parece uma tarefa gigantesca. Ninguém saberia informar, mesmo quem está – ou esteve – diretamente envolvido no processo, quanto em dinheiro o Governo Federal (de Fernando Henrique Cardoso a Luís Inácio Lula da Silva) enviou ao Governo Estadual para incontáveis “retomadas” das obras de terraplenagem, pavimentação e asfaltamento.
Trata-se de uma das maiores e das mais intrincadas caixas-pretas da administração pública local, cuja abertura e providencial interpretação certamente levaria anos para o estabelecimento de uma compreensão exata desse estranho labirinto. Clique aqui e leia mais…

