AMAPÁ EM DIA

Jornalismo Critico & Anárquico

Curtas & Certeiras

Topa tudo por dinheiro
Desde setembro, com a revista ÉPOCA, e agora com o CQC, ficou difícil deputado e deputada estadual afirmar que recebe os R$ 100 mil por mês de verba indenizatória. A atual legislatura, sob a presidência do evangélico Moisés Souza (PSC), está com a imagem altamente comprometida. Nada contra os evangélicos. Mas é que sendo Moisés um deles, deveria ser o primeiro a primar por uma conduta ilibada, irretocável no proceder como tribuno e cidadão (“Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um pecadinho”, deve argumentar ele). O que se vê e ouve é completamente o oposto. O deputado do PSC já defendeu em várias entrevistas a legitimidade do escandaloso aumento, o maior de todas as assembleias legislativas brasileiras. Custa entender porque um homem que frequenta igreja assiduamente e usa Bíblia atenta contra as necessidades de um povo pobre e vilipendiado como é o povo amapaense.

Belo por fora
O que Moisés Souza fez no prédio da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, promovendo ampla reforma, pintando e mobiliando com peças novas, é elogiável. Mas o que ele vem fazendo na presidência lembra bem aquelas imprecações de Cristo em relação aos fariseus (fariseu era membro de uma seita judaica surgida no século II a. C., que se caracterizava pela observância exageradamente rigorosa das prescrições da lei escrita, mas que, nos Evangelhos, é acusado de hipocrisia e excessivo formalismo). Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.

Deputada vai prá porrada
A coisa anda tão feia que tem deputada perdendo as estribeiras, saindo do salto, borrando a maquiagem e partindo prá cima de jornalista e blogueiro nos corredores da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá. Na manhã da quarta-feira, 14 de dezembro, foi a deputada estadual Mira Rocha (PTB) que, descontrolada, agrediu fisicamente o jornalista Heverson Castro, editor do blog heverson-castro.blogspot.com Bufando mais que uma maria-fumaça descarrilada, a parlamentar não conteve os bofes ao ver o blogueiro lépido e fagueiro saracoteando à sua frente e tascou café quente no cocuruto dele. A agressão deixou o blogueiro com as orelhas em brasa. Aos gritos, e gastando todo o estoque de imprecações, Mira foi contida a muito custo. Agora, está sendo processada. E se depender do blogueiro agredido, a deputada vai escarrar uma grana preta em indenização.

O sarrafo das deputadas
Por causa dos R$ 100 mil de verba indenizatória, tem muita lama vindo à tona. E deputado e deputada se esquivando da Imprensa mais que caloteiro se esquiva de agiota em dia de pagamento. Resultado da confusão: brigas entre parlamentares. Cada um puxando a sardinha pro seu lado, e disparando os mísseis mais letais contra o adversário da ocasião. Recentemente, duas deputadas protagonizaram o maior barraco num programa matinal de rádio. Roseli Matos (DEM) e Cristina Almeida (PSB) encenaram um tremendo bate-boca ao vivo, rolaram no tatame, e expuseram, cada uma à sua maneira, suas fragilidades e deficiências. Pelo microfone, Roseli disparou um “tomahowk” verbal devastando os argumentos de Cristina. Para confrontar o poder de fogo da democrata, a socialista contra-atacou com um “Scud”, mas sem o mesmo poder de destruição do arsenal oposto.

O silêncio dos espertinhos
Enquanto uns e outros se digladiam, os demais ficam na moita, caladinhos, se locupletando de forma vergonhosa da aviltante verba indenizatória de R$ 100 mil. É para esses que a Imprensa amapaense deveria se atentar. Produzir reportagens mostrando como vivem os deputados do Amapá, gente que tomou posse este ano e já acumula considerável patrimônio. Mas, seria esperar demais. Quem tem…, tem medo, diria um jornalista que hoje está em Pedra Branca do Amapari. Disso os deputados e deputadas se aproveitam para tentar passar despercebidos (e despercebidas), embolsando, na maior cara de pau, uma grana imoral, resultado de acordos espúrios firmados nas coxias dos gabinetes. A população deveria fazer alguma coisa, ocupar as ruas, protestar, cercar o prédio da AL do Amapá, exigir dos deputados e deputadas da atual legislatura mais respeito com o dinheiro público. Quem está disposto a se dar em holocausto?

Fim do voto obrigatório
Está na hora de promover ampla campanha contra o voto obrigatório. Não da forma oportunista  como aquele partido fez recentemente em programa de TV. Mas, uma ação nacional, encampada por entidades sérias, deputadas e deputados perfilados com os interesses populares, senadoras e senadores comprometidos com o bem-estar comum. Com o fim do voto obrigatório, uma nódoa que macula gravemente a democracia brasileira, diminuiria sobremodo a presença de políticos surrupiadores, demagogos, vigaristas e salafrários na vida pública do País. Por que a OAB, o STF e o próprio governo federal não empunham essa bandeira? Por que o PT (partido do governo) faz cara de paisagem sobre o assunto? Porque o atual sistema beneficia todos eles. Menos, é claro, o povo brasileiro.

Então, será que o Brasil continua sendo o país do futuro que nunca chega?

Retificando
Segundo o rosa-cruz Fernando Bedran, ilustre morador de Santana, a frase pichada na parede lateral da casa que o engenheiro João Lamarão entendeu como “Nogueira, mais inútil que o pau do papai” é, na verdade, “Nogueira, mais inútil que o pau do Papa”. O que se entende como um “i” no fim da frase era, na verdade, uma tentativa do pichador em tascar uma “exclamação”  (por sinal, bastante esclarecido o tal pichador) Mas, flagrado na ilicitude do ato, o acento saiu borrado, levando incautos como o brioso Lamarão ao erro de interpretação. Tudo bem, está perdoado. Que atire a primeira pedra aquele que nunca cometeu um erro de interpretação, não é mesmo Moisés Souza?!

14/12/2011 Publicado por | Espaço Livre | | Deixe um comentário

   

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.