Viagens pelos municípios amapaenses
Estas fotos fiz durante uma viagem de Laranjal a Vitória do Jari, pela estrada que foi aberta para ligar os dois municípios. Foi uma viagem repleta de perigos, principalmente por causa da estrada, quase sem condições de trafegabilidade, que se estreitava margeando verdadeiros abismos, alguns com mais de 30 metros de profundidade. Viajamos numa pickup com tração nas quatro rodas, mesmo assim ainda patinamos nos muitos atoleiros existentes no percurso. Saímos de Laranjal do Jari por volta das 13 horas, e chegamos em Vitória já no fim da tarde.

Ao fundo, panorâmica da fábrica da AMCEL, emoldurada por uma imensidão de água e mato, expondo um cenário deslumbrante

Os aclives e declives da estrada entre Laranjal e Vitória do Jari exigem do motorista muita habilidade para evitar colisão com outro veículo, no sentido oposto, ou com uma das dezenas de árvores próximas
próximas 

Neste ponto paramos o carro para contemplar a belíssima paisagem de cima de um morro. Uma visão privilegiada do rio Jari, estendendo-se pela floresta
Reencontro com Belchior no Bar do Garrincha (o passado, nunca mais)
Hoje, acordei com saudades de mim. E principalmente saudoso de outras sextas-feiras. Dos encontros vespertinos com a rapaziada, no Bar do Garrincha, no Reduto. Intermináveis bate-papos com Marcos Moraes, Nemézio Filho, Arnaldo Torres, o A. Torres, Ary Souza, Ronaldo Bandeira (habitando outra dimensão), Astrogildo Soares, Walter Bandeira (também em outra dimensão), Alessandra, Paulinho do SINDJOR, Andréa, Jeferson Santa Brígida, Adauto Rodrigues, Paulo Jordão. Invariavelmente, com Belchior rolando a meio tom na caixa sobre o balcão. Parece que “Há tempo, muito tempo/Que eu estou/Longe de casa/E nessas ilhas/Cheias de distância/O meu blusão de couro/Se estragou”.
Não tive dúvida, comecei a manhã ouvindo Belchior. Acho que todos têm lá suas preferências musicais. Tenho muitas também, e bem ecléticas: Beatles, The Credence Clearwater Revival, Luiz Gonzaga, Bob Marley… Mas destas guardo a sensação de que compartilho com outras milhares de pessoas. Com o Belchior é diferente. Ele não é tão popular quanto minhas predileções citadas. E por isso penso sempre que posso ser seu fã nº 1. Acho – como todo fã que se pensa o nº 1 – que entendo suas mensagens melhor que ninguém. Somos cúmplices em muitas delas.
Nesse mundo de solidão e solidões, tenho Belchior como bom amigo. É como se vivêssemos os mesmos problemas e algumas poucas alegrias. Somos parecidos. Sempre, nesses dias mofados de cotidiano, em que o tempo se alonga por horas congeladas, sem ninguém para ver, onde os acasos se mostram apenas nos quarteirões ao longe, sinto saudades do Belchior. E ele, como se entendesse minha agonia de rotinas arrastadas, diz: “Por força desse destino um tango argentino vai bem melhor que um blues”.
Comovido com minha crise saudosista, o amigo quis passar alguma alegria: “Você não sente e nem vê, mas não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança, em breve, vai acontecer”. Desta vez discordei. Já não guardo o mesmo entusiasmo de outrora. Os tempos são outros e a estrela vermelha está desbotada. Continuamos como nossos pais. Ele concordou, e acrescentou: “O passado é uma roupa que não nos serve mais”.
Belchior gosta de exaltar o passado, os bons momentos vividos na juventude. Ele traz um saudosismo doído em sua voz; uma melancolia infinda. O conheço bem. Ele sempre se lamenta dizendo: “O passado, nunca mais”, ou “O tempo andou mexendo com a gente, sim”. Em outro instante, quase em prantos, quis desabafar: “O que é que eu posso fazer com a minha juventude, eu um simples cantador das coisas do porão? Olho diferente a cara do presente, mas sei que vou ouvir a mesma história porca. Não há motivos para festa: ora esta! Eu não sei rir à toa”.
Já ousei tentar consolá-lo com ilusórias promessas de felicidade. Mas meu amigo Belchior também se mostra desiludido das coisas do presente: “Fique você com a mente positiva. Eu quero é a voz ativa. Ela é que é uma boa”, respondeu-me. Em comentários sobre John – um outro amigo íntimo nosso – Belchior disse, como quem estivesse cansado destas frases imperativas dos outdoors, dessas leis morais desgastadas, do cárcere da vida moderna: “Saia do meu caminho. Eu prefiro andar sozinho. Deixem que eu decida minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”.
E, sabedor das armadilhas destas propagandas que prometem o sucesso da vida, completou: “A felicidade é uma arma quente!”. Então, relembrei uma frase que havia me dito ainda no começo de nossa amizade e que nunca mais esqueci: “Graças a Deus, perco sempre o juízo”. E para me animar, aconselhou meu amigo, cantador das coisas do porão: “É, Emanoel, viver é melhor que sonhar”.
Entrevista inédita com o jornalista Carlos Mendes, que investigou UFOs na Amazônia
De todos os jornalistas que investigaram e fizeram reportagens sobre o chupa-chupa e a Operação Prato, ocorrida na Amazônia em 1977, um tem um repertório especialmente rico para contar. Trata-se do paraense Carlos Augusto Serra Mendes, que na época trabalhava no extinto jornal O Estado do Pará e foi incumbido de fazer a cobertura de inúmeros casos de avistamentos de UFOs e ataques a pessoas em Colares, Baía do Sol, Santo Antônio do Tauá e demais áreas da região nordeste do estado. Mendes não teve nenhum avistamento nem contato com os objetos voadores não identificados que lá operavam, mas é uma das pessoas que mais conheceu toda a situação que se abateu sobre o Pará. “Eles nunca apareciam onde eu estava. Às vezes eu ia a uma localidade onde, durante semanas, os fenômenos estavam ativos. Mas era só eu chegar e parava tudo”, declarou.
Ele concedeu uma entrevista à UFO há alguns anos, que nunca foi publicada por ter a revista veiculado matérias anteriores sobre o assunto, achando desnecessário voltar a ele. Nela Mendes mostrou novamente ser um “acervo humano” de tudo o que se refere a UFOs na Amazônia, em especial a Operação Prato, por ter convivido com alguns de seus integrantes. Ainda jovem jornalista durante a ditadura, sofreu forte pressão dos militares para que arrefecesse a publicação de suas matérias sobre o chupa-chupa. Era constantemente seguido quando ia às áreas atacadas e mesmo em Belém, enquanto fazia a cobertura de fatos que nada tinham a ver com Ufologia. “Eles sabiam quem eu era e me acompanhavam o tempo todo”. Mendes teve muitos diálogos com o comandante da operação, o então capitão Uyrangê Hollanda, depois coronel, e o descreve como um homem forte e opressor, determinado e ditador, uma imagem bem diferente da que apresentam outros de seus contemporâneos. “O capitão era um homem muito difícil, praticamente inacessível e inabordável”.
Recentemente, por intermédio da UFO, Mendes tomou conhecimento da entrevista concedida por Fernando Costa, filho do falecido sargento Flávio Costa, a um site cético, na qual tentou colocar sob suspeita alguns dos resultados obtidos na Operação Prato, como as fotos obtidas. Como se sabe, o programa Fantástico, da Rede Globo, de 15 de agosto de 2010, colocou em dúvida as fotos da Operação Prato, contando com a assessoria das pessoas que teriam entrevistado Fernando – que tem um blog na internet em que se apresenta como Fernando Dako. O Fantástico, no entanto, sequer entrevistou diretamente Fernando, apenas baseou-se no que o site alegava que ele teria dito. E também não consultou nenhum ufólogo que verdadeiramente conheça a Operação Prato para comentar o que disse o rapaz, cuja história é extremamente fraca, como se verá nesta entrevista. Enfim, a verdade vem à tona e mostra que, por trás das aludidas “revelações” do tal site cético, há nada além de uma falácia, já devidamente apresentada anteriormente pela Revista UFO, em sua edição 155, no artigo Mais uma falácia cética é desmontada.
O sargento Costa, pai de Fernando, como se sabe, era o assessor direto e subordinado de Hollanda em todas as ações militares na selva, e era quem preenchia os relatórios das missões de investigação e vigílias ufológicas. Sua assinatura [De Flávio Costa, obviamente] aparece em muitas páginas dos documentos da operação, resgatadas pelos ufólogos. Na época, Fernando era adolescente e, na entrevista que concedeu, disse que seu pai o obrigava a revelar fotos que os militares tinham obtido dos UFOs durante as missões, num laboratório improvisado na casa da família. Alegou que resolveu fazer “brincadeiras” e “sacanagens” com o pai, manipulando os negativos para forjar discos voadores nas fotos que revelava.
As declarações de Fernando Costa foram muito mal recebidas pela Comunidade Ufológica Brasileira, em especial pelos integrantes da Revista UFO, que estão à frente de boa parte de todas as investigações e revelações que já se fez no país sobre a Operação Prato. É simplesmente incabível que um integrante da equipe de militares e especialistas da Força Aérea Brasileira (FAB) fosse entregar a um adolescente uma tarefa tão importante quanto a revelação das fotos de discos voadores obtidas durante a operação. Afinal, eram evidências concretas da ação de forças alienígenas em operação no Pará, conseguidas por um grupo militar em missão oficial para investigá-las, documentá-las, e que, no processo, contou com a ajuda de integrantes da Força Aérea Norte-Americana (USAF), da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), do temido Serviço Nacional de Informações (SNI) – órgão repressor da época da ditadura – etc. Vejamos as declarações de Carlos Augusto Serra Mendes sobre a entrevista e as alegações de Fernando Costa. Clique aqui e leia mais…
No Pará, 98% das mortes no campo ficam impunes
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BRASÍLIA


