AMAPÁ EM DIA

Jornalismo Critico & Anárquico

A história se repete

Quando um Estado é administrado (???) da forma como aconteceu com o Amapá nos oito anos recentes, o resultado final não pode ser diferente do que estamos vivendo hoje. São 1.4 bilhões de reais desviados dos cofres públicos, incluídos aí os 420 milhões da Amprev, 200 milhões da Secretaria de Educação, 300 milhões de fornecedores, dinheiro das consignações descontado dos servidores, mas não repassado aos credores, e sabe Deus quanto mais. É o Estado saindo, quase moribundo, do controle de uma verdadeira quadrilha de engravatados. No início de 1994, o clima na gestão pública era o mesmo de hoje.
João Alberto Capiberibe assumiu o governo do Estado após a o fim da dinastia Barcellos, e o Amapá também era uma terra arrasada, mas o povo “adorava” os ex-governantes. Ganhar a eleição de Jonas Pinheiro Borges, apoiado pelo “comandante”, como era chamado o então governador Annibal Barcellos, denunciado por tantos escândalos, acusado de uma roubalheira desenfreada, e nunca punido por nenhum deles, tinha sido muito difícil. Como hoje, as manifestações contra o governo que acabara de assumir eram intensas. Cobranças, denúncias e ações judiciais de bloqueio de contas se sucediam e a nova equipe começou a trabalhar. Havia um projeto de moralizar a máquina. Seria o primeiro passo para mudar os rumos do Estado.
Uma das primeiras visitas que o novo governador recebeu no Palácio foi de um político conhecido, na ativa até hoje, aliado na campanha, que se apresentou como enviado de uma empresa de construção rodoviária envolvida com o governo Barcellos. Ele queria receber o saldo de uma dívida do governo anterior, cujo valor ele mesmo estabeleceu. Era assim que funcionava. O valor cobrado não foi pago, e o “enviado especial” informado de que nada seria, antes de uma auditoria geral nas contas apresentadas. Capiberibe, o pai, virou inimigo público número 1 da quadrilha que acabava de perder o controle do poder, e voltaria oito anos depois sob o manto da “harmonia” chefiada por Waldez Góes.
Quatro anos depois, em 1998, mesmo com o governo estabilizado, praticamente todos os serviços funcionando Capiberibe correu o risco de perder a reeleição para Waldez Góes, a novidade. E como o povo gosta de novidade.
Já bem perto do segundo turno, Capiberibe confiava cegamente em um instituto de pesquisa familiar, que o apontava em primeiro lugar, “disparado” na frente de Waldez. Não aconteceu a derrota porque o jornalista Elson Martins, que coordenava a campanha, desconfiou das facilidades e trouxe, do Acre, uma equipe que havia trabalhado na reeleição de Jorge Viana, do PT, para o governo local. A equipe veio e no dia da chegada fez uma pesquisa rápida. Capi foi chamado e ouviu o alerta:
-“a disputa está empatada. Ou você vai para a rua ou perde a eleição”. Capiberibe voltou para as ruas e se reelegeu. A primeira parte dessa história volta a acontecer.

Corrêa Neto – www.correaneto.com.br

22/05/2011 Publicado por | Política local, nacional e internacional | | Deixe um comentário

A história nas páginas dos jornais

Jornal do Dia, 23 de julho de 2008 – Da coluna “Respingando”, à época assinada por Paulo Silva

MENTOR INTELECTUAL
“A Polícia Federal afirma que Eike Batista, que distribuiu dinheiro para campanha política no Amapá, foi o “mentor intelectual” da fraude na licitação da estrada de ferro Santana – Serra do Navio. De acordo com a PF, Eike, como presidente do conselho administrativo da MMX, não tinha como não saber do andamento do processo. Antes da eleição de 2006, Eike veio comer churrasco e abraçar gente poderosa no Amapá”.

Diário do Amapá, 10 de julho de 2009 – Da coluna “From”, assinada por Luiz Melo

VANTAGEM
“Não é de hoje que o cantor paraense Nilson Chaves faz de Macapá o seu “tesouro” musical. Começou com Capiberibe e continua “cantando”a Deus dará no atual governo, via Secretaria da Cultura, de Milhomem – de onde teria levado, recentemente, mais de R$ 300 mil por um projeto que ninguém nunca conheceu”.

Diário do Amapá, 15 de julho de 2009 – Da coluna “From”, assinada por Luiz Melo

O PIOR
O “Clube dos Amapaenses Radicados em Brasília”, que reúne pessoas do Amapá e amigos diversos que estudam em faculdades ou trabalham em gabinetes parlamentares na capital federal, e ainda nas representações de Estado e município, fez uma enquete em “escrutínio secreto” nesse domingo. O objetivo era eleger o parlamentar que tem a pior assessoria entre os três senadores e os oito deputados federais. Ganhou disparado o gabinete do deputado federal Jurandil Juarez.

RECADO
Resultado da enquete feita pelos amapaenses radicados em Brasília foi enviado tanto para o deputado Jurandil Juarez quanto para seus assessores, que foram ungidos como os piores de toda a bancada federal.
Com o resultado da votação, os amapaenses e lideranças comunitárias que visitam o Congresso esperam que haja uma urgente reflexão por parte do parlamentar.
Caso contrário, ele terá graves DIFICULDADES DE SE REELEGER.

LUIZ MELO, O PÍTON (VAI ADVINHAR ASSIM NA BAIXA DA ÉGUA, MELO!!!!!)

10/05/2011 Publicado por | Imprensa Amazônica | Deixe um comentário

A guerra dos quebrados

O jornal A Gazeta, de Silas Assis Júnior, vem batendo duro nas costelas do governador Camilo Capiberibe (PSB), com manchetes e reportagens cada vez mais incisivas e arrasadoras, numa clara demonstração de que não apoiará o governo nem com a oferta de muito dinheiro. É a guerra de um jornal, criado e amplamente apoiado na gestão do ex-governador Waldez Góes (PDT), numa ligação umbilical tão evidenciada que tem hoje como colaboradores diretos dois ex-secretários de Estado da Comunicação de Waldez, Olympio Guarany e Marcelo Roza. Ambos amigos e parceiros do dono do jornal desde quando exerciam seus respectivos cargos, cada um num período diferente.
Silas Assis Júnior jamais receberá do governo Camilo Capiberibe o volume de dinheiro que recebia do governo Waldez Góes. E pela artilharia pesada que vem utilizando para bombardear o Palácio do Setentrião, demonstra claramente não ter nenhuma intenção em firmar qualquer tipo de acordo comercial com o GEA. E como jornal em Macapá dificilmente sobrevive só de anúncios (principalmente um jornal diário), pergunta-se como Silas Assis Júnior vem garantindo a manutenção de seu parque gráfico, a folha de pagamento de seus funcionários e assegurando a compra de papel para imprimir o periódico.
É notória a ligação de Silas Assis Júnior com o presidente do Senado,  José Sarney (PMDB). Foi uma das “heranças” deixadas pelo pai dele, o falecido jornalista Silas Assis, também conhecido editor de jornais na região Norte. Quando em 1999 fundou o Jornal do Dia em Belém (PA), Silas Assis Júnior tinha dois sócios: o fiscal de tributos do Estado, Teófilo Palmeira, e o então policial civil e presidente municipal do Partido Verde, Paulo Castelo Branco.
O projeto do Jornal do Dia, que à época tinha como editor-chefe o falecido jornalista Arlindo Souza, não apresentava nenhuma novidade. Mas para um tabloide despretensioso, balançou as estruturas dos jornalões paraenses com uma estratégia simples, por isso mesmo eficiente. Para se diferenciar dos demais, Silas Júnior focalizou duas editorias: Polícia e Esporte.
Para a Editoria de Polícia, contratou o experiente jornalista Raimundo Oliveira, na ocasião assessor de Imprensa da Coordenadoria de Polícia Civil do Pará e que por mais de dez anos fizera dupla em O Liberal com o conhecido repórter policial Ítalo Gouvêa, e de tabela fechou contrato de exclusividade com o fotojornalista Fernando Nobre, o “Passarinho”, ex-Diário do Pará.
Esses dois jornalistas começavam a trabalhar às 23 horas. Até as 5 horas da manhã “raspavam” tudo que acontecia na área policial em Belém. Antes das 10 horas, o jornal estava na gráfica, com ampla cobertura policial em três páginas, e manchetes que somente o Arlindo Souza sabia construir. Às 2 horas, o Jornal do Dia estava nas ruas, com notícias da área de Polícia que O Liberal, Diário do Pará e A Província do Pará só iriam veicular 24 horas depois.
Foi um dos maiores sucessos editoriais da história recente da imprensa paraense. O Jornal do Dia de Silas Assis Júnior vendia como sal. Era bom e barato. Com o tempo, os gazeteiros passaram a disputar no tapa cada exemplar do tabloide. Mas se por um lado era um sucesso editorial, o mesmo não acontecia no departamento comercial, sob a direção das irmãs de Silas Júnior, Telma e Sandra Assis. Em menos de seis meses, os salários começaram a atrasar, um claro sinal de que o negócio não andava bem das pernas.
Silas Júnior não obteve do governo Almir Gabriel (PSDB), tampouco do prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT), a salvaguarda financeira de que precisava para assegurar a longevidade de seu jornal. Fez alguns poucos acordos de bastidores, empreendeu manobras nada convencionais para pressionar alguns figurões da política paraense, contudo, os resultados foram pífios para quem acostumara-se às grandes jogadas provenientes, exatamente, de quem sabe como poucos instrumentalizar o veículo jornal para obter lucros fabulosos.
Foi após uma viagem ao Estado Maranhão que semanas depois Paulo Castelo Branco entrou eufórico na redação do Jornal do Dia anunciando a boa-nova: fora nomeado superintendente do IBAMA Pará. “De agora em diante, a história do Jornal do Dia vai ser diferente. E os salários não mais atrasarão”, anunciou ele, cheio de empáfia.
Silas Assis Júnior e Paulo Castelo Branco defenestraram Teófilo Palmeira da sociedade (esse acontecimento será narrado numa outra ocasião). Palmeira, que além de fiscal da SEFA também integrava – e integra – a cúpula da Igreja Assembleia de Deus no Pará, sentiu  o knockdown, beijou a lona, saiu carregado do ringue, no entanto, logo se recuperou e passou a relatar a história escabrosa para quem quisesse ouvir.
Já Silas Assis Júnior e Paulo Castelo Branco… (esta é uma outra história, e que história!)

05/05/2011 Publicado por | Imprensa Amazônica | 4 Comentários

   

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