Curtas & Certeiras
Reapareceu cantando
O ex-governador Waldez Góes deu o ar da graça em público, coisa que não fazia desde que foi preso pela PF na operação Mãos Limpas. Ele apareceu no ensaio da Embaixada de Samba Cidade de Macapá, comandada por gente da família de seu aliado o ex-senador Gilvam Borges. Ao lado de Ivo Canutti, Waldez cantou “É Hoje” (de Caetano Veloso), uma das duas músicas de seu repertório (a outra é um carimbó do Pinduca). O ex-governador não aparecia em público desde a convenção do PDT.
Queda de prefeitos
Pesquisa divulgada esta semana pela Confederação Nacional dos Municípios mostra que dos 5.563 prefeitos eleitos em 2008, 383 não estão mais no cargo. Foram cassados 210, 48 deles por fraudes na campanha eleitoral. No Amapá, só quem perdeu o mandato foi Zezinho, da Pedra Branca. Cassado seis vezes, Roberto Góes, prefeito de Macapá, segue na cadeira por força de liminares. Euricélia Cardoso, de L. do Jari, foi cassada e voltou ao mandato por decisão do TSE.
O governo era outro
Tentando jogar a culpa no atual governo, algumas emissoras de rádio divulgaram esta semana, tendo como fonte o Ministério Saúde, dados sobre mulheres sem atendimento médico durante a gravidez. No percentual de óbitos entre menores de um ano por causas mal definidas, o Amapá apareceu com 57,6, para média nacional de 50,4. O que elas esconderam é que os dados são de 2008/2009, quando Waldez Góes era o governador do Estado.
Sentença desrespeitada
Faz dois meses que Martinha Souza, com decisão judicial debaixo do braço, tenta ocupar vaga no Conselho Tutelar da Zona Norte de Macapá, mas a sentença da 1ª Vara Cível e de Fazenda Pública da capital não é cumprida. Martinha ganhou a vaga de Marlete Oliveira e Marco Antônio Santos, considerados inaptos para o exercício do cargo. O município parecer ter jogado a sentença no lixo, e vai ficando por isso mesmo.
Inscrição falsa
Acusadas de usar documentos falsos para inscrição de eleitor, 20 pessoas foram denunciadas pelo promotor de Justiça Afonso Guimarães, de Santana. Os denunciados seriam cabos eleitorais de candidatos, que induzem eleitores a fazerem transferências fraudulentas de domicílio eleitoral com o fim de obterem os votos. Quem inscreve e quem fornece declaração falsa pode pegar até cinco anos de cadeia.
Projeto básico
Autorizada pela Aneel, a Ferreira Gomes Energia já pode realizar estudos geológicos e topográficos necessários à elaboração do projeto básico da Linha de Transmissão, em 230kV, UHE Ferreira Gomes – SE Macapá, com extensão aproximada de 85 km, em circuito simples, que passará pelos municípios de Ferreira Gomes, Porto Grande e Macapá, no Estado do Amapá.
Liberação aprovada
Na volta do recesso, a Sudam referendou a aprovação de 41 projetos de empresas que pleiteavam incentivos fiscais. A diretoria aprovou, ainda, a liberação financeira da terceira subparcela ao projeto da empresa Santo Antonio Energia pela implantação da UHE Santo Antonio. O empreendimento é financiado pelo Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e tem capacidade de geração de 3.150,40 MW de energia.
Remoção de juízes
O juiz federal Flávio da Silva Andrade, que estava na Secção Judiciária da Bahia, acaba de ser titularizado, pelo critério de antiguidade, na Vara Única da Subseção Judiciária de Laranjal do Jari, no Amapá. Já o juiz Náiber Pontes de Almeida está saindo de Goiás para ser o titular na Vara Única da Subseção Judiciária do Oiapoque, pelo critério de merecimento.
Nada mudou
Desde janeiro deste ano, a Assembleia Legislativa do Amapá vem tendo repasse mensal de quase R$ 14 milhões, por força da lei promulgada pelo deputado Moisés Souza, que o Estado ainda não conseguiu derrubar. Mesmo assim, segundo servidores, a Casa não vem recolhendo as consignações descontadas em folha e falta até o cafezinho nas salas.
Articulando motim
Assinando artigo no qual se apresenta como Bombeiro Militar, Alexander Costa, filiado ao PSOL, revela que a Associação dos Militares do Amapá tem se posicionado a favor de motim (militar não faz greve) no Estado. No mesmo artigo, publicado em blogs, Costa diz que a classe ficou esquecida desde 2003 (quando Waldez Góes assumiu o governo). O detalhe: nos oito anos de Waldez os bombeiros ficaram caladinhos, embora tenham passado da sexta para a nona posição nacional em termos de remuneração.
Escândalos e indícios de malfeitorias marcaram a legislatura de 2011 no parlamento amapaense
Como um furacão revirando as entranhas de instituições públicas, a “Operação Mãos Limpas”, deflagrada pela Policia Federal em setembro de 2010, deixou no Amapá rastros jamais imaginados por políticos e empresários. Mais do que simples rastros, a operação fez recender pelos cantos do Estado os odores fétidos da corrupção. E não foi só isso. Fez cair sobre a Assembleia Legislativa do Estado do Amapá um manto que há tempos vinha sendo tecido pela população: o da suspeita de desvios de volumosas quantias e consequente enriquecimento ilícito de deputados e funcionários.
As duas ações da Polícia Federal na Assembleia Legislativa, durante a “Operação Mãos Limpas”, foram resultados de uma denúncia feita em 2008 pelo deputado Moisés Souza (PSC) sobre o desvio de cerca de R$ 280 milhões da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Na época, a disputa por uma licitação no setor de nefrologia da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) fez romper a lua de mel vivida entre o deputado Moisés Souza (cujo irmão, Marcos Reategui, era procurador-geral do Estado) e o então governo Waldez Góes (PDT). Irritado por ter seus interesses menosprezados pelo governador e aliado, o deputado Souza espalhou por toda a capital do Estado, Macapá, outdoors com denúncias sobre um amplo esquema de desvios de recursos públicos supostamente coordenado pelo próprio chefe do Executivo.
Com o caso em mãos, a PF foi desenrolando o novelo da corrupção, cujo miolo funcionava na Seed, mas o comando fora estabelecido na sede do governo amapaense, o Palácio do Setentrião. E mais, a PF não encontrou um sistema amador. As ramificações da rede de corrupção se estendiam por várias secretarias de Estado, Tribunal de Contas do Estado, empresas privadas, pessoas físicas. Haviam também tentáculos da organização criminosa dentro do próprio legislativo, local de onde partira a denúncia. Os fortes indícios de operações financeiras ilícitas na Assembleia motivou a ação dos federais, assombrando, inclusive, o próprio Moisés Souza.
No legislativo estadual, incluindo ai gabinetes de parlamentares e residências de funcionários, foi apreendida mais de meia tonelada de documentos, computadores, até material pornográfico, que foi analisado minuciosamente. Funcionários e deputados conduzidos à Superintendência Regional da Polícia Federal no Amapá também foram ouvidos.
Polícia Federal encontra em anexo vestígios de enriquecimento ilícito
Nos documentos apreendidos no antigo anexo da AL, a Policia Federal encontrou indícios de fraudes na folha de pagamento, superfaturamento em compras, salários superfaturados. Descobriu, por exemplo, que a folha de pagamento dos 2.491 servidores da Casa (o prédio onde funciona a Assembleia foi construído para suportar não mais do que 1.500 funcionários) ultrapassava os limites instituídos pela Lei da Responsabilidade Fiscal.
As investigações da PF constataram também que além do inchaço de servidores, havia a existência de cerca de mil “funcionários fantasmas” lotados em gabinetes de deputados e na presidência da Casa. O suposto esquema de desvios de recursos usava nomes fictícios “plantados” nas cotas de cargos de deputados e dirigentes do legislativo amapaense.
As investigações não pararam por aí. Segundo fontes da própria Assembleia Legislativa, está no alvo da Policia Federal o aumento patrimonial de funcionários da Casa e de parlamentares, cujos ganhos salariais não condizem com os patrimônios acumulados. Há servidores do setor de serviços de limpeza que estariam recebendo salários de R$ 14 mil. Entre os deputados investigados aparecem os nomes do atual presidente Moisés Souza, dos veteranos Eider Pena (PDT) e Edinho Duarte (PP), e do ex-presidente da AL Jorge Amanajás (PSDB). A Polícia Federal também estaria investigando servidores do setor financeiro em cujos patrimônios aparecem lanchas, jet skis, carros de luxo e até uma gráfica (que estaria imprimindo de graça jornais e revistas da base de apoio do presidente Moisés Souza), e lojas que estariam em nome de laranjas.
O volume de recursos que é movimentado anualmente pelo legislativo estadual sempre foi motivo de disputas internas. O orçamento anual da Casa chega a ser maior que o de muitas secretarias de Estado e órgãos do governo que executam importantes políticas públicas.
Levantamento minucioso da ONG “Instituto Raça Humana” revela que o amapanese
paga anualmente mais de R$ 4 milhões por cada um dos deputados estaduais
Mesmo sem executar nenhum projeto social, com a obra do Anexo 1 paralisada há mais de dois anos, com 24 deputados e mais de 2.491 servidores (efetivos e comissionados), a Assembleia Legislativa do Amapá quer aprovar um Orçamento de mais de R$ 156 milhões para 2012, principal causa que levou a atual mesa diretora, encabeçada pelo social-cristão Moisés Souza, a disputar na Justiça o controle da Casa, num processo eleitoral eivado de manobras sub-reptícias e de ações controversas.
As únicas vozes contrárias às artimanhas engendradas nos escaninhos do legislativo estadual, as dos parlamentares Cristina Almeida e Agnaldo Balieiro (ambos do PSB), ganham em volume mas não conseguem frear a usura amplamente defendida por Souza e demais membros da mesa diretora em evidência.
Tanto que em 2010 a ONG “Instituto Raça Humana” fez um levantamento sobre as despesas da Assembleia Legislativa e chegou a conclusão de que cada deputado custava ao contribuinte quase R$ 4 milhões/ano. Mas isso não é suficiente. O relator da Comissão de Orçamento, deputado Keka Cantuária (PDT), está propondo a elevação do duodécimo (repasse efetuado mensalmente) de R$ 8.017.506,00 milhões para R$ 13.072.397,00, em 2012. Mais um duro golpe contra a combalida economia do povo amapaense.
Outro mais recente escândalo proporcionado pela Assembleia Legislativa foi o aluguel de um prédio localizado na esquina da rua Jovino Dinoá com a avenida Pedro Baião, construído e destinado ao funcionamento de um apart-hotel. De acordo com informações obtidas no setor financeiro da Casa, o prédio foi alugado para o funcionamento do Anexo da AL e está custando ao cofre da instituição mais de R$ 170 mil/mês. Até aí seria mais uma historia de superfaturamento não fosse um detalhe que torna a transação um fator imoral, mesmo que legal, o prédio pertenceria ao deputado Eider Pena, conforme informações obtidas na coordenação de Comunicação do legislativo estadual, e também segundo garantiu uma fonte ligada ao próprio parlamentar.
Alem de gerar dúvidas sobre a gestão dos recursos públicos, a administração da AL também vem sendo investigada paralelamente pelo Ministério Público Federal que estaria apurando débitos previdenciários.
A Assembleia do Amapá foi uma das ultimas instituições a aderir à Lei da Transparência. Somente em 2 de janeiro o presidente da AL lançou oficialmente o portal . Ainda assim, o site está incompleto. Nem todos os dados financeiros foram devidamente divulgados como determina a legislação, o que indica que todas as transações financeiras realizadas nos últimos 12 meses continuam dentro de uma caixa-preta inviolável que somente a Justiça Federal poderá abrir e revelar seus segredos.
Operação da PF comprova pagamento de diárias aos deputados com valores acima de R$ 435 mil
No decorrer das investigações, a Polícia Federal rastreou um dos dutos de escoamento irregular do volumoso orçamento destinado anualmente à Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, maior inclusive do que o de alguns municípios e os de várias secretarias juntas. A farra com o dinheiro público incluía o pagamento de um “mensalinho” em forma de diárias que chegava até a R$ 75 mil/dia, dependendo do poder do parlamentar.
O deputado estadual Dalto Martins (PMDB), por exemplo, foi o campeão absoluto em diárias. Somente de janeiro a agosto de 2010 o parlamentar recebeu R$ 435 mil em diárias, seguido do ex-deputado Alexandre Barcellos (PSD) com R$ 308 mil, de Mira Rocha (PTB) com R$ 270 mil, Edinho Duarte (PP) com R$ 264 mil e Manoel Mandi (PV) com R$ 250 mil. Os deputados Edinho Duarte (PP) e Mira Rocha chegaram a receber R$ 100 mil/mês de diárias em maio de 2010.
A menos privilegiada foi a bancada oposicionista da época. O então deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) recebeu apenas R$ 13 mil de diárias em sete meses. Já o deputado Charles Marques (PSDC), que assumiu em junho de 2010, em apenas dois meses embolsou R$ 64 mil. Além do “mensalinho das diárias”, os deputados aprovaram, em outubro do mesmo ano, a verba indenizatória mensal de R$ 50 mil. O absurdo não parou por aí. Com base em uma única nota fiscal apreendia a PF constatou o aluguel de um veículo Fiat Pálio pelo valor diário de R$ 3.600,00.
Todo esse esquema foi comprovado no dia 16 de dezembro de 2010, quando a PF cumpriu vários mandados de busca e apreensão e condução coercitiva nos prédios da AL e em residências de servidores. Durante a ação, os servidores Adriano Marques, Erielton Viana, José Wilson Barreto (Finanças), Carlos Augusto Cidônio, Vitório Cantuária e Janete Cordeiro, todos do setor administrativo e financeiro da AL, foram conduzidos à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Amapá para prestar esclarecimentos.
Os federais ocuparam os dois prédios do Legislativo: tanto o localizado na avenida FAB, onde ficam os gabinetes dos 24 deputados, a presidência e mais o plenário, como também o antigo anexo, instalado num prédio localizado na rua Eliezer Levy, onde funcionavam a Escola do Legislativo e a Fundação de Rádio e Televisão João Queiroga. Na Escola do Legislativo estavam instaladas as secretarias de Finanças e Administração. No local foram apreendidos vários cheques, seis deles no valor de R$ 50 mil em nome de seis deputados, e um no valor de R$ 350 mil, sem o nome do destinatário.
No prédio central do legislativo foi realizada a apreensão de folhas de ponto e contracheques de servidores, além de notas fiscais em todos os 24 gabinetes. Em alguns casos foram levados também computadores e outros documentos. O objetivo era comparar as informações desses documentos com a documentação apreendida na Secretaria Administrativa da AL.
Até oficial da Marinha constava na
extensa lista encontrada pelos federais
Antes da deflagração da “Operação Mãos Limpas”, a Polícia Federal investigava irregularidades que há muito tempo vinham sendo cometidas nos subterrâneos da AL. Os agentes descobriram, por exemplo, o emprego de aproximadamente mil servidores “fantasmas”.
Além da extensa relação, o desvio de verba também ocorria por meio de vantagens indevidas, verbas de gabinete superestimadas e indenizações com gastos fictícios.
Um dos casos de irregularidade mais claros foi o da dentista Caroline Santana, filha do ex-deputado Jorge Salomão, o Pingola, indiciado na CPI do Narcotráfico e irmão de Margareth Salomão, ex-conselheira do TCE do Amapá que teve a casa vasculhada pela PF no desdobramento da “Operação Mãos Limpas”, efetivado na manhã de 28 de maio de 2011.
Caroline ocupava, desde 2004, um cargo comissionado na AL. O problema é que desde 2008 ela trabalha como oficial da Marinha em Brasília (a quase 3.000 quilômetros do Amapá) de segunda a sexta-feira, no Hospital Naval. Além da incompatibilidade de horários, o duplo emprego de Caroline é proibido por lei.
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Apanhando de aliados
Depois de começar a apanhar no programa Câmera Livre, da TV Band Macapá, o prefeito Roberto Góes também passou a ser atropelado pelo programa Bronca Pesada, do Canal 24 – TV Tucuju, de propriedade dos Borges. Da primeira, o motivo seria a possível candidatura do deputado Davi Alcolumbre a prefeito, enquanto da segunda estaria passando por algumas nomeações ainda não feitas por Roberto.
Cuidado, padre!
O padre Paulo Roberto faz um belo trabalho na condução do Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma), e precisa receber todo o apoio do poder público, da sociedade civil e da classe empresarial. O que ele não pode deixar é se levar por movimentos políticos que pretendem usá-lo para fins eleitoreiros. Tem muita figura alvo de operações da Polícia Federal que agora quer virar “santo” junto ao Ijoma.
Nome de rua
Com nefasta passagem pela Assembleia Legislativa do Amapá, casa que chegou a presidir, o ex-deputado Fran Júnior é nome de rua no bairro Marabaixo 4. Foi o que descobriu a polícia ao prender o receptador Mateus Soares Dias Duarte. Mateus deu como endereço a Rua Fran Júnior 490, como mostra a ocorrência policial 5252/2012. Fran agora recebe ordens na Assembleia, de onde é empregado temporário.
Folha inchada
Gente com acesso ao setor de Finanças da Assembleia Legislativa diz que a folha de pagamento da Casa já contempla cerca de cinco mil funcionários. É quase o dobro da era Jorge Amanajás, conforme apurou a Polícia Federal durante a “Operação Mãos Limpas”, de setembro de 2010. É por essas e por outras que os deputados aumentaram o orçamento de R$ 96 milhões (2011) para R$ 156 milhões (2012).
Comitê acompanhante
Decreto do governador Camilo Capiberibe instituiu comitê executivo estadual para acompanhar trabalho de consultoria da Fundação Getúlio Vargas. A FGV foi contratada para prestar apoio na concepção de uma nova estrutura organizacional para o Poder Executivo estadual. O comitê é integrado pelos secretários e técnicos da Sead, Seplan, Procuradoria-Geral do Estado e Gabinete do Governador.
Visitas no Iapen
A partir deste domingo, dia 5, começa a valer portaria estabelecendo que nos feriados nacionais, incidentes em dias úteis, ficam a critério da direção do Iapen franquear o acesso aos familiares de detentos e demais visitantes. O objetivo da portaria é prevenir possíveis incidentes e imprevistos em razão do excesso de visitantes em feriados nacionais.
CNI é contra
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de ingressar com ADI no Supremo Tribunal Federal contra o Protocolo ICMS 21, de abril do ano passado, firmado por 18 Estados, entre eles o Amapá, e o Distrito Federal. O protocolo exige, a favor da unidade federada de destino da mercadoria ou bem, a parcela do ICMS devida na operação interestadual em que o consumidor final adquire mercadoria ou bem de forma não presencial por meio de internet, telemarketing ou showroom. O ministro Luiz Fux é o relator.
Nota com prêmios
Uma comissão especial da Secretaria da Receita Estadual já trabalha para selecionar, via licitação, entidade pública ou privada para operacionalizar o sistema de sorteio da “Nota Fiscal Amapá”, previsto pelo governador Camilo Capiberibe no Programa de Estímulo à Cidadania Fiscal no Estado. A ideia é fazer o sistema funcionar ainda este ano. Vai distribuir valiosos prêmios, como ocorre em São Paulo.
FNO do Basa
O Banco da Amazônia (Basa) anuncia que tem mais de R$ 4 bilhões em recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), através de diversos programas voltados para micro e pequenas empresas, empreendedores individuais, agricultores familiares e empresas de todos os portes. O FNO contempla os sete Estados que integram a Região Norte (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).
Tudo em casa
Em 2010, chegou ao ministro Arnaldo Versiani, no TSE, pedido de cassação de Roseana Sarney, governadora do Maranhão. Versiani expediu carta de ordem para o TRE maranhense ouvir a filha do senador Sarney, encontrada após quatro meses. Em agosto de 2011, o juiz eleitoral Sérgio Muniz deveria ouvir dez testemunhas. Muniz é filho do secretário adjunto da Casa Civil de Roseana. Sérgio teve o mandato encerrado, mas foi reconduzido. Na votação para saber se ele continuaria com o processo, o voto final foi do juiz José Carlos Souza, até pouco tempo presidente da Fundação José Sarney. E o processo segue parado.
Rápida avaliação do 1º ano de governo Camilo Capiberibe
No fim de 2011, muita costura em andamento nos bastidores políticos. Em especial no âmbito do governo estadual, por conta de supostas alterações no primeiro escalão. Por exemplo, comenta-se muito que Juliano Del Castillo, o titular da Seplan (a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Tesouro do Estado), vai ocupar o lugar do chefe da Casa Civil, Kelson Vaz. Até agora, nada foi confirmado.
Aliás, Juliano e Kelson são nomes de peso dentro do governo. Juliano pela fidelidade inabalável ao projeto de governo do primo e amigo Camilo Capiberibe, e Kelson pela relação profundamente estreita com o casal senador João e deputada federal Janete Capiberibe. Ambos gozam de elevado prestígio e são extremamente necessários ao pleno funcionamento da máquina político-administrativa comandada por Camilo.
Outra secretaria também muito comentada nas redes sociais (Facebook e Twitter) é a da Comunicação. Com a morte precoce da secretária Jacinta Carvalho, o chefe de gabinete Bruno Jerônimo ocupa temporariamente o cargo. Pode ser efetivado. Mas muita gente não enxerga essa possibilidade.
Twitteiros de plantão citaram o nome da administradora e funcionária do Ministério Público do Estado, Alcilene Cavalcante, como possível substituta de Bruno. Alcilene já foi habitué da cozinha do então governador do Estado, João Alberto Capiberibe (1995-2002). Mas passou os últimos 12 meses fazendo grande esforço para se reaproximar dos Capiberibe.
Tanto empenho fomentado por Alcilene teve por objetivo contornar os mal-entendidos ocorridos nas eleições gerais de 2010, quando manifestou amplo apoio à irmã, a jornalista Alcinea Cavalcante, assessora e consultora do então candidato ao governo do Amapá, o ex-deputado estadual Lucas Barreto (PTB), na ocasião opositor implacável de Camilo Capiberibe.
Por conta de divergências políticas, Alcinea entrou em rota de colisão contra Luciana Capiberibe (uma das principais coordenadoras da campanha de Camilo). E naturalmente, Alcilene ficou ao lado da irmã. As trocas de farpas ocorreram pelos blogues das três contendoras.
Por conta desse imbróglio e pelo fato de Luciana Capiberibe coordenar a Comunicação do Estado, dificilmente Alcilene assumiria a Secretaria de Comunicação. Ou se hipoteticamente aceitasse um suposto convite do governador Camilo para o cargo teria de se submeter às diretrizes de Luciana. Será que Alcilene calçaria as “sandálias da humildade” a tal ponto?
A Secretaria de Segurança Pública igualmente deve ter novo titular. Após um início controverso, o professor Marcos Roberto conseguiu contabilizar alguns importantes avanços. Mas internamente as escaramuças se avolumam e o secretário não tem sido eficiente para conter os ânimos em crescente ebulição.
Delegados e agentes alinhados à ex-primeira dama e deputada estadual Marília Góes (PDT) continuam agindo desenvoltos visando desestabilizar a gestão do delegado Tito, coordenador da Polícia Civil do Amapá, e sabidamente apoiado pelo governador Camilo. Há 11 meses Tito tem enfrentado muita resistência dentro da PC para implementar seu plano de trabalho.
No entanto, Marcos Roberto é um quadro técnico imprescindível em qualquer cargo relevante no governo estadual. Pode deixar a Segurança, mas deve continuar no primeiro escalão. Há quem o considere mais adequado à Secretaria de Educação, proposta inicial apresentada a ele quando teve o nome cogitado para compor o secretariado do então governador eleito.
Mas quem deve passar por mudanças significativas é a Secretaria do Turismo. Ao longo de 12 meses as ações da secretária Helena Colares foram consideradas excessivamente tímidas para garantir-lhe a permanência no cargo. Nenhuma medida obteve destaque e o turismo no Amapá recrudescedeu. Não foi implementada nenhuma grande campanha, não houve avanços que pudessem alavancar a imagem do Estado no cenário turístico nacional e internacional.
Todas as medidas visando destacar o Amapá nesse setor foram provenientes do próprio governo do Estado, como a recente inauguração da Cidade do Samba e a volta do bondinho do Trapiche Eliezer Levy. Faltou à Setur iniciativa para promover extensa campanha publicitária sobre os novos atrativos.
Por fim, fazendo-se um balanço preliminar, o governo Camilo Capiberibe fecha o primeiro ano com o Estado do Amapá reconduzido ao caminho do crescimento econômico e social. E esse feito deve, sim, ser comemorado. Em 12 meses, Camilo Capiberibe já conseguiu imprimir sua própria marca ao concluir obras iniciadas no governo anterior e paralisadas por falta de recursos, resultado de graves equívocos político-administrativos das gestões Waldez Góes (PDT) e Pedro Paulo Dias de Carvalho (ex-PP). Mais importante: o governo Camilo encerra o ano com o Amapá fora das listas de inadimplência do governo federal. Essa é uma grande conquista.
Vendendo o próprio “peixe”
Há quase 30 anos, quando iniciei minha carreira profissional em Belém (PA), a concorrência no mercado de trabalho era bem menor. Porém, já existiam as dificuldades para quem estava começando. Você precisava provar no dia a dia da reportagem de rua que realmente tinha talento. Mais do que isso: dom para o jornalismo.
Hoje soa estranho, não é mesmo? Mas era assim que funcionava com a “Velha Guarda”, que cobrava mais de quem vinha dos “bancos da faculdade”.
Na época, o novato iniciava como repórter “A” (o chamado “foca”). Após um ano no jornal, era elevado à condição de repórter “B”. E se merecesse, mais um ano depois era “promovido” a repórter “C”. Claro, o salário acompanhava a mudança de função.
Na condição de repórter “C”, o jornalista ganhava o respeito do “alto clero” da redação do jornal e também a incumbência de “descascar os abacaxis mais cascudos e espinhosos” da reportagem. Ou seja, pegava as pautas mais “cabeludas”. Tinha uma vida dura – em todos os sentidos.
Antes de “entrar” na “grande imprensa paraense” perambulei por cinco anos na “baixa imprensa”, ou seja, na “imprensa alternativa” de Belém, a dos pequenos jornais de esquerda, das revistas “devezquandárias”, das pequenas agências de publicidade, das assessorias de imprensa de sindicatos, associações de moradores, partidos políticos. Enfim, o duríssimo mundo dos “frilas”, do pouco dinheiro, dos maus pagadores, das inevitáveis “caneladas”.
Nas agências, passei por alguns setores antes de me tornar conhecido como redator publicitário. O Atendimento me fascinou mais. Ou seja, vender é uma atividade que sempre admirei. Embora não me considere um bom vendedor (conheci vários nessa categoria), procurei me aprofundar com cursos e boa literatura sobre o assunto. Isso perdura até hoje.
Para ser um grande vendedor, é preciso estar sempre motivado e conhecer bem o “peixe” à venda. No caso, o produto. Eu me considero um vendedor razoável. Quando estou vendendo meus serviços no comércio de Macapá enxergo a oportunidade de conhecer novas pessoas, fazer amizades, construir uma relação de negócios.
Ao longo dos anos, compreendi que para tornar-me um vendedor bem-sucedido era preciso saber formular boas perguntas para colher as respostas certas.
É o mesmo dom que distingue o bom do mau repórter: saber perguntar e saber ouvir. Perguntas certas, ouvidos atentos.
Conhecimento de mundo e argumento da autoridade.
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Topa tudo por dinheiro
Desde setembro, com a revista ÉPOCA, e agora com o CQC, ficou difícil deputado e deputada estadual afirmar que recebe os R$ 100 mil por mês de verba indenizatória. A atual legislatura, sob a presidência do evangélico Moisés Souza (PSC), está com a imagem altamente comprometida. Nada contra os evangélicos. Mas é que sendo Moisés um deles, deveria ser o primeiro a primar por uma conduta ilibada, irretocável no proceder como tribuno e cidadão (“Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um pecadinho”, deve argumentar ele). O que se vê e ouve é completamente o oposto. O deputado do PSC já defendeu em várias entrevistas a legitimidade do escandaloso aumento, o maior de todas as assembleias legislativas brasileiras. Custa entender porque um homem que frequenta igreja assiduamente e usa Bíblia atenta contra as necessidades de um povo pobre e vilipendiado como é o povo amapaense.
Belo por fora
O que Moisés Souza fez no prédio da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, promovendo ampla reforma, pintando e mobiliando com peças novas, é elogiável. Mas o que ele vem fazendo na presidência lembra bem aquelas imprecações de Cristo em relação aos fariseus (fariseu era membro de uma seita judaica surgida no século II a. C., que se caracterizava pela observância exageradamente rigorosa das prescrições da lei escrita, mas que, nos Evangelhos, é acusado de hipocrisia e excessivo formalismo). Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.
Deputada vai prá porrada
A coisa anda tão feia que tem deputada perdendo as estribeiras, saindo do salto, borrando a maquiagem e partindo prá cima de jornalista e blogueiro nos corredores da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá. Na manhã da quarta-feira, 14 de dezembro, foi a deputada estadual Mira Rocha (PTB) que, descontrolada, agrediu fisicamente o jornalista Heverson Castro, editor do blog heverson-castro.blogspot.com Bufando mais que uma maria-fumaça descarrilada, a parlamentar não conteve os bofes ao ver o blogueiro lépido e fagueiro saracoteando à sua frente e tascou café quente no cocuruto dele. A agressão deixou o blogueiro com as orelhas em brasa. Aos gritos, e gastando todo o estoque de imprecações, Mira foi contida a muito custo. Agora, está sendo processada. E se depender do blogueiro agredido, a deputada vai escarrar uma grana preta em indenização.
O sarrafo das deputadas
Por causa dos R$ 100 mil de verba indenizatória, tem muita lama vindo à tona. E deputado e deputada se esquivando da Imprensa mais que caloteiro se esquiva de agiota em dia de pagamento. Resultado da confusão: brigas entre parlamentares. Cada um puxando a sardinha pro seu lado, e disparando os mísseis mais letais contra o adversário da ocasião. Recentemente, duas deputadas protagonizaram o maior barraco num programa matinal de rádio. Roseli Matos (DEM) e Cristina Almeida (PSB) encenaram um tremendo bate-boca ao vivo, rolaram no tatame, e expuseram, cada uma à sua maneira, suas fragilidades e deficiências. Pelo microfone, Roseli disparou um “tomahowk” verbal devastando os argumentos de Cristina. Para confrontar o poder de fogo da democrata, a socialista contra-atacou com um “Scud”, mas sem o mesmo poder de destruição do arsenal oposto.
O silêncio dos espertinhos
Enquanto uns e outros se digladiam, os demais ficam na moita, caladinhos, se locupletando de forma vergonhosa da aviltante verba indenizatória de R$ 100 mil. É para esses que a Imprensa amapaense deveria se atentar. Produzir reportagens mostrando como vivem os deputados do Amapá, gente que tomou posse este ano e já acumula considerável patrimônio. Mas, seria esperar demais. Quem tem…, tem medo, diria um jornalista que hoje está em Pedra Branca do Amapari. Disso os deputados e deputadas se aproveitam para tentar passar despercebidos (e despercebidas), embolsando, na maior cara de pau, uma grana imoral, resultado de acordos espúrios firmados nas coxias dos gabinetes. A população deveria fazer alguma coisa, ocupar as ruas, protestar, cercar o prédio da AL do Amapá, exigir dos deputados e deputadas da atual legislatura mais respeito com o dinheiro público. Quem está disposto a se dar em holocausto?
Fim do voto obrigatório
Está na hora de promover ampla campanha contra o voto obrigatório. Não da forma oportunista como aquele partido fez recentemente em programa de TV. Mas, uma ação nacional, encampada por entidades sérias, deputadas e deputados perfilados com os interesses populares, senadoras e senadores comprometidos com o bem-estar comum. Com o fim do voto obrigatório, uma nódoa que macula gravemente a democracia brasileira, diminuiria sobremodo a presença de políticos surrupiadores, demagogos, vigaristas e salafrários na vida pública do País. Por que a OAB, o STF e o próprio governo federal não empunham essa bandeira? Por que o PT (partido do governo) faz cara de paisagem sobre o assunto? Porque o atual sistema beneficia todos eles. Menos, é claro, o povo brasileiro.
Então, será que o Brasil continua sendo o país do futuro que nunca chega?
Retificando
Segundo o rosa-cruz Fernando Bedran, ilustre morador de Santana, a frase pichada na parede lateral da casa que o engenheiro João Lamarão entendeu como “Nogueira, mais inútil que o pau do papai” é, na verdade, “Nogueira, mais inútil que o pau do Papa”. O que se entende como um “i” no fim da frase era, na verdade, uma tentativa do pichador em tascar uma “exclamação” (por sinal, bastante esclarecido o tal pichador) Mas, flagrado na ilicitude do ato, o acento saiu borrado, levando incautos como o brioso Lamarão ao erro de interpretação. Tudo bem, está perdoado. Que atire a primeira pedra aquele que nunca cometeu um erro de interpretação, não é mesmo Moisés Souza?!
Curtas & Certeiras
É mole ou quer mais?!
O engenheiro civil João Lamarão enviou por e-mail foto da lateral de uma residência, localizada no município de Santana, a 18 quilômetros de Macapá, onde está grafada a seguinte frase: “Prefeito Nogueira, mais inútil que o pau do papai”. O vulgo contido na mensagem “pichada” na parede da casa resume bem a insatisfação da população com o prefeito santanense Antônio Nogueira (PT), após sete anos e meio de gestão equivocada, eivada de denúncias de malversação, peculato, improbidade administrativa, formação de quadrilha, prevaricação e tráfico de influência.
Citando prefeito sob suspeição, ampla reportagem sobre as “primeiras-damas da corrupção” exibida pelo Fantástico no domingo, 27 de novembro, causou comoção pela cinismo de senhoras de aparente conduta ilibada. Uma prova de que a corrupção grassou geral no Brasil, e está contaminando pessoas antes consideradas acima de qualquer suspeita. Mulheres envolvidas no pior de todos os crimes: o de lesa-pátria. Acusadas do desvio da merenda escolar de crianças e jovens carentes. Suspeitas de compactuarem com as práticas condenáveis dos maridos, possivelmente participantes e coordenadoras de esquemas criminosos, as mulheres denunciadas e presas não esboçaram nenhuma reação de arrependimento.
Estúpida honestidade
Mais da metade dos 5.564 municípios brasileiros está em estado pré-falimentar por causa da corrupção. O dinheiro dos programas federais que deveria beneficiar milhões de famílias de baixa renda, é desviado para contas particulares de homens e mulheres eleitos para promover o bem-estar da população. No Amapá, denúncias de irregularidades nas prefeituras dos 16 municípios avolumam-se há décadas. O resultado de tantos crimes é um Estado paupérrimo, com saneamento básico restrito a uns poucos privilegiados, saúde pública deficiente, sistema de água encanada comprometido e segurança pública em frangalhos.
A cultura do “rouba mas faz”, do “Dimas, o bom ladrão”, do “o mundo é dos espertos”, do “herói sem caráter” está presente no dia a dia dos mais humildes ao cotidiano faustoso dos congressistas (com raríssimas exceções). O que mais se vê hoje em dia é comerciante, dono de mini box, vendendo mercadoria fora do prazo de validade , passando troco a menos para crianças e idosos, fraudando os direitos trabalhistas dos empregados.
Parece que vivemos os piores momentos do ser humano no Brasil, em que honestidade é sinônimo de estupidez.
Causos da política
É bom ficar de olho no desenrolar dos últimos acontecimentos políticos no Amapá. Muita coisa, antes impensável, está em avançada negociação, e quando emergir, causará grande surpresa. Na verdade, inimigos de outrora estão à mesma mesa de negociação, celebrando acordos em troca de apoio político. Já vi isso acontecer no Pará, entre Jader Barbalho e o falecido Hélio Gueiros. Os dois travaram batalhas verbais encarniçadas, com o ferino HG aplicando duros golpes no oponente. JB igualmente contra-atacava com a mesma virulência, atingindo o que HG mais prezava: seu passado “baratista”.
Aliás, nos anos 1980 o pai de Jader, o falecido jornalista Laércio Barbalho, travou memorável batalha contra o então presidente do Sindicato dos Bancários do Estado do Pará, Carlos Levy. A redação do jornal Diário do Pará funcionava na rua Gaspar Viana, às proximidades do prédio da Paratur. No auge das escaramuças entre os contendores, Levy desfilava todas as manhãs em frente ao jornal DP acompanhado de uma enorme porca branca, tão gorda que mal conseguia andar.
A cena atraia centenas de curiosos. Quando seu Laércio aparecia através da vidraça da janela do gabinete dele, Levy levantava a mão direita, com o indicador em riste, apontava na direção do adversário, em seguida virava-se para a porca e gritava:
Isso aqui é tu, “porca prenha”!
Levy referia-se à silhueta extremamente avantajada do patriarca, em especial à enorme circunferência abdominal orgulhosamente exibida por ele.
Cuidado, eles espreitam!
Muita gente tem comentado que o governador Camilo Capiberibe (PSB) “está mal assessorado”. É muito difícil fazer qualquer tipo de avaliação do interior da casa, com ínfima margem de erro, só olhando pela janela. Dessa posição, apenas é possível observar contratempos, excessos de zelo, desinformações e suscetibilidades. O que ocorre de sério mesmo fica restrito aos escaninhos, com o principal ocupante do imóvel se desdobrando para conter vazamentos (temendo reflexos do que acontecia na gestão do ex-governador Waldez Góes).
Afirmar que Camilo está “mal assessorado” apenas com um “passar d’olhos” numa máquina tão complexa é, no mínimo, contraproducente. Cada governo tem suas virtudes e defeitos. Seus acertos e desacertos. Ainda mais um governo às vésperas de completar o primeiro ano e atravessando furiosa tempestade. Os governos são feitos por homens. Logo, suscetíveis a falhas. Existem, sim, problemas que o governador vem acompanhando com redobrada atenção. Certamente um/a ou outro/a secretário/a inepto/a para a função vem sendo mantido/o por conta de acordos de campanha eleitoral. Mas, devem desocupar as cadeiras logo na primeira reforma.
Boquetes rejuvenescedores
Está completando dez anos que o cientista japonês Hideo Yamanaka anunciou que a masturbação torna os homens mais atraentes. Quando revelou ao mundo sua descoberta, Yamanaka disse que ao “descabelar o palhaço” o homem acelera o funcionamento do sistema nervoso e libera hormônios que melhoram a textura da pele.
Mas os benefícios decantados pelo onanista japonês também chamaram atenção da mulherada do país e do mundo todo. Desde então incontáveis mulheres de vários países incorporaram novas técnicas labiais à prática milenar do sexo oral, combinando sucção preventiva do sêmen masculino com novas ferramentas de melhoramento da estética feminina.
Resultado: até meados de 2010 essas mulheres achavam que quanto mais sêmen engolissem mais conservariam o frescor de suas peles. E toma boquete em tudo quanto era pinto mundo a fora. Há sete meses, no entanto, mulheres exímias na arte da felação como fonte rejuvenescedora da pele foram surpreendidas com um alerta proveniente do próprio “Punheteiro-Mor” do Japão, doutor Yamanaka: consumo excessivo de esperma pode alterar o DNA dos hormônios estrógeno, a progesterona e a testosterona, fabricados nos ovários das mulheres.
De repente, essas ávidas bocas arrefeceram seus ímpetos consumistas.
Os meandros e as malandrangens na política
Ao longo da vida pública, o ex-presidente Getúlio Vargas manteve um princípio basilar: fidelidade aos amigos. Embora em muitas ocasiões, os amigos tenham optado pelo iscariotismo político contra ele. Mas isso é outra história. Getúlio foi um político inigualável (deixando de lado seus anacronismos e vicissitudes) pelo legado deixado ao povo brasileiro, em especial no concernente às leis trabalhistas. Mais do que qualquer outro, Getúlio sabia que no mundo em que pontificava “amigos e inimigos” são nomenclaturas meramente decorativas. E que em política “não existem amizades nem inimizades eternas” (Lula levou isso ao extremo com José Sarney).
Isso é verdade aqui no Amapá, e nos demais Estados brasileiros. Prevalecem os interesses individuais, para perpetuação de projetos políticos familiares, e poucos se beneficiam. Uns menos, outros mais. Alguns se locupletam às escondidas, porque evitam questionamentos de militantes mais puristas – por isso, mais ingênuos. Aliás, militante é igual marido traído: é sempre o último a saber. E quando sabe, fica magoado, mas invariavelmente perdoa.
Getúlio Vargas foi um grande líder político. Mas como todo ser humano, passível dos mais comezinhos sentimentos. “(…) Vargas era uma dessas personalidades ‘líquidas’, moldáveis, que cedem às pressões e às circunstâncias, tomando a cada passo a forma do vaso que as contém”. Essa descrição do redator-chefe Paulo Mendonça se funde ao perfil de quase todos os políticos, assombrando os neófitos (aqueles que ainda acreditam em Papai Noel e Saci Pererê), e confirmando dissertações e teses de “mestres” e “doutores” na arte de fazer política.
É como disse Gilberto Freire: “O Brasil é o país das possibilidades impossíveis”. No cenário político local as “possibilidades impossíveis” acontecem diariamente. Das menores (como a manchete do jornal Tribuna Amapaense enaltecendo João Capiberibe. Quem diria, hein?!), às mais robustas (e cabeludas), tão “robustas e cabeludas” que tornam-se impublicáveis devido ao teor explosivo das relações subterrâneas, por isso mesmo espúrias, entre os protagonistas.
Muitos não entenderiam as razões de tais acordos. Do político, que precisa dos recursos para garantir a sustentação de sua campanha. Do “benemérito”, que agindo dessa forma (entregando ao outro a dinheirama), garante livre acesso ao futuro eleito. Por isso, muita gente não entende a política, e se aborrece quando sabe que aquele/a político que ajudou a eleger recebeu ajuda financeira do “inimigo declarado”. No fundo entre eles é tudo mise-en-scène. Pura encenação só para “marcar uma posição de autonomia”.
Minha orientação aos desavisados é que evitem classificar os políticos pela visão maniqueísta. Este presta, aquele não. Fulano é bom, beltrano é mal. Vamos fugir disso. É uma visão esmaecida. Opaca. Até porque a história dos “grandes homens”, que o saber histórico nos conta, depende sempre da exploração e dominação dos “pequenos homens”. E é inócua a luta do rochedo contra o mar. Portanto, os ocasionais vislumbres de suas falhas de caráter acabam sendo minimizadas pela lógica do interesse próprio.
Na verdade, viceja entre o eleitor e o politico uma aquiescência tácita. Uma espécie de entendimento de que o malfeito cometido por vários torna-se inconsciente, ou melhor, deixa de ser malfeito e torna-se mal-entendido. É isso.
Curtas & Certeiras
Tratamento diferenciado
O débâcle do ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT) respingou no Amapá mas não provocou a necessária repercussão. Tampouco motivou matérias jornalísticas aprofundadas para levantamento da participação ou não do deputado federal Sebastião Rocha, o “Bala”, do mesmo partido do jactancioso ministro, na articulação de montagens irregulares de entidades sindicais. “Bala” é bem relacionado com a Imprensa amapaense (mérito dele), e agiu rápido divulgando “nota de esclarecimento” imediatamente veiculada em sites e blogs.
Mesmo tratamento não recebeu a colega de bancada do “Bala”, a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), quando da deflagração da “Operação Voucher”, em agosto passado. Por quatro semanas, a parlamentar foi massacrada nas páginas do jornal A Gazeta por suposto envolvimento no esquema de fraudes e desvios de recursos públicos do Ministério do Turismo. O periódico esfolou, esquartejou e expôs ao escárnio de seus leitores os “restos deteriorados” da peemedebista. Diferente de “Bala”, ela não goza do mesmo prestígio junto à Imprensa de seu Estado.
As “carlianas lupidices”
E por falar em Carlos Lupi, o deputado federal Evandro Milhomem (PC do B – AP) disse a este blogueiro que o ministro escapou temporariamente do cadafalso, mas o pescoço dele está, sim, sob a mira implacável do cutelo do carrasco. No caso do ministro falastrão, da “carrasca”. Segundo o parlamentar, a presidente Dilma Rousseff vem tendo sucessivos ataques de fúria toda vez que Lupi abre a boca para responder (ou tentar justificar alguma malfeitoria). Como 2011 ganha aspectos crepusculares, a cabeça do ministro é poupada a muito contragosto pela irascível “presidenta”. Isso até a reforma ministerial em janeiro, segundo se comenta.
Atualmente, Carlos Lupi é o assunto do momento. Comenta-se muito sobre o comportamento do ministro quando as denúncias eclodiram nas páginas da revista Veja, depois repercutidas em abordagens diferenciadas pelos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Um homem daquela idade, ocupando um cargo de alta relevância, com vasta experiência na arena política, de repente “surta” e começa a cometer uma sandice atrás da outra. Típica reação de quem se sente acossado e percebe a proximidade inexorável do algoz.
Habilidade para dizer não
No nosso quintal, comenta-se sobre a mudança que Camilo Capiberibe pretende fazer na Casa Civil de seu governo. A saída do técnico agrícola Kelson Vaz seria iminente. No lugar dele assumiria o advogado Juliano Dellcastilo, que deixaria a Secretaria do Planejamento. No frigir dos ovos (essa é antiga, mas cabe bem aqui), o governador estaria trocando seis por meia dúzia. A mudança maior seria no estilo. Kelson é mais “fechadão”, chega a ser quase tímido, o que muita gente entende por “arrogância”. Falta-lhe, por isso, a maleabilidade para lidar com profusões de interesses que gravitam em torno do governo.
Homem de confiança de Camilo, Juliano tem um perfil mais “sociável”. Sabe dizer um “não” sem ferir a suscetibilidade do interlocutor. É um “não” com cara de “sim”. Não mitiga de vez as esperanças, tampouco alimenta crenças exacerbadas. É um “vazelina”, como muitos denominam aquele sujeito detentor de poder (qualquer poder) que é afável, piadista, cheio de malemolência, com grande habilidade para se livrar dos chatos (qualquer chato). O cargo até o momento exercido por Kelson requer alguém com essas e outras aptidões, sendo a articulação política a principal delas. E Juliano pode ser este articulador político, posto em vacância desde quando Camilo tomou posse.
Os secretários atrapalhados
Sabe-se que alguns integrantes do staff do governo Camilo Capiberibe estão metendo os pés pelas mãos sem nenhuma preocupação com o futuro. Ou seja, ignoram as recomendações do Chefe e estão tomando as decisões mais atabalhoadas e estapafúrdias que se possa imaginar. O número vem crescendo com o avançar do primeiro ano de governo. Um deles (cujo nome manterei em sigilo) vem se notabilizando pela quantidade de ações equivocadas, contrárias às orientações do Palácio do Setentrião, inclusive até usando projeto de quando o governador era deputado para benefício próprio. Essa medida obrigou Camilo a convocar o secretário para explicações “mais detalhadas” sobre a “apropriação indevida” do projeto para a juventude.
Outros destacados membros do governo igualmente andam adiantando os bois. Um deles (também guardarei o nome) foi ao governador tramar a queda de um importante auxiliar, contador respeitado e conhecido em Macapá, que durante a gestão do ex-secretário garantiu o fluxo de recursos federais para programas de grande interesse público no Amapá. Por causa da seriedade desse contador, funcionários da dita secretaria, acostumados às velhas práticas, tentaram inúmeras vezes intrigá-lo junto ao ex-secretário. O atual secretário, no entanto, motivado por interesses inconfessos, foi ao Palácio do Setentrião especialmente para cometer a perfídia contra o oponente. Conseguiu que ele fosse exonerado. Amigos recomendaram ao contador a procurar Camilo, e da mesma forma relatar os indícios de malfeitos que começam a ser cometidos nas entranhas da problemática secretaria. “Eu não! Deixa isso pra lá!!”, respondeu ele.
Batista: verdadeiramente socialista
Com o assassinato do então deputado estadual João Carlos Batista (PSB-PA), em dezembro de 1988, a esquerda paraense ficou destroçada. Era o segundo parlamentar executado pela pistolagem em 15 meses (o primeiro foi o deputado Paulo Fontelles), sendo a última execução ocorrida dentro da capital do Estado, comprovando de vez que mesmo às proximidades dos poderes constituídos nenhum militante de esquerda – com ou sem mandato – estava seguro.
Os encontros, antes abertos a qualquer pessoa, foram restringidos a reuniões iguais às realizadas nos tempos de chumbo grosso no País, com a retomada do “patrulhamento” exacerbado feito por companheiros e camaradas “a beira de um ataque de nervos”. Voltaram as senhas esdrúxulas (e hilárias), os “códigos secretos”, as mensagens cifradas deixadas em locais estranhos, os disfarces. Uma paranoia geral tomou conta dos militantes de esquerda em Belém no fim dos anos 1980.
Acompanhei vários desses encontros. Dos realizados às “escondidas” na sede do DCE, dentro do “Vadião”, na UFPA, aos mais elaborados no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, ou no auditório da Fetagri, ou na sede do Sindicato dos Rodoviários. Outros locais também eram bem utilizados: sede da SDDH, gráfica Suiá, do Daniel, onde rodaram jornais antológicos, como o editado pelo Humberto Cunha, sempre vigiado de perto pelo delegado Paulo Tamer, diretor da DOPS Pará.
No começo de novembro fiz nova visita ao amigo Marcos Moraes de Lima, jornalista cearense radicado em Belém há mais de 30 anos, mas acima de tudo um dos petistas mais renitentes que conheço. Defensor intransigente do ex-governo Ana Júlia Carepa, amigo e parceiro comercial de exponenciais da esquerda paraense, militante de esquerda por opção. Daqueles cujo coração é do mais puro vermelho. Vermelhão, mesmo.
Sempre quando revejo o Marcos Moraes, recordo aquele período efervescente e ao mesmo tempo tenebroso que compartilhamos. Foi o MM que me apresentou ao Batista, na Assembleia Legislativa do Estado do Pará. Logo passei a colaborar na confecção do informativo de gabinete do deputado, o “Trincheira Socialista”, e mais tarde me tornei assessor de Imprensa do polêmico parlamentar. O acompanhei em várias viagens, inclusive para municípios onde latifúndio e pistolagem tramavam o extermínio dos opositores sob os olhos complacentes da Justiça.
E Batista ocupava o topo da lista dos marcados para morrer desde quando era somente advogado de posseiros e trabalhadores rurais. Foi vítima de vários atentados. Um deles durante discurso de campanha em Paragominas, nas eleições de 1986, com pistoleiro atirando várias vezes. Uma bala atingiu o braço do candidato e outra acertou uma religiosa, que se encontrava perto dele no palanque. A multidão se dispersou em polvorosa, resultando em mais vítimas.
Numa dessas tentativas de assassinato contra o Batista eu estava ao lado dele. Nós voltávamos de madrugada, de um vilarejo na época conhecido por “Tucuruízinho”, a alguns quilômetros do município de Dom Elizeu, com destino a Paragominas. Dois carros passaram a nos seguir em alta velocidade. O Osmar, motorista do Batista, viu pelo retrovisor que os ocupantes dos veículos estavam com os braços para fora. E armados. E baixou o pé no Passat novinho – e “envenenado” – o mesmo ocupado pelo Batista quando ele foi morto.
Batista, que usava uma pistola 7,65 e um revólver 38, empunhou as armas, seguido pelos “assessores-seguranças” Mauro e Joãozinho, ambos com velhas espingardas. Eu fiquei apavorado. Lancei mão da única “arma” disponível: uma máquina fotográfica Pentax. Foi uma ação instintiva. O Mauro ainda brincou: “Se a gente não se livrar dessa, o Pará vai ganhar cinco novas viúvas”. O Osmar rebateu na bucha: “Não se depender mim”, e botou 170 no velocímetro.
A perseguição continuou até a entrada de Paragominas, com o nosso carro varando a rua principal em altíssima velocidade. Só parando em frente à casa do pré-candidato a prefeito pelo PSB do município. Demorou bom tempo para esquecer essa experiência traumática. Se não fosse a extraordinária habilidade do Osmar e as boas condições do automóvel do Batista, teríamos sidos fuzilados ao estilo “cosa nostra” numa rodovia deserta do Pará.
Na última visita ao MM, relembramos esse e outros episódios que marcaram profundamente nossa relação profissional e pessoal com o Batista. Dia 8 de dezembro Batista completa 23 anos de morto. Até hoje não conheci outro socialista igual a ele. Foi desse ponto que teve início nosso debate e reminiscências, com o MM se autodenominando “verdadeiramente socialista”. Mais do que muitos. No que eu retruquei: “Não igual ao Batista”. E o MM: “Ah, o Batista foi único!”
